domingo, 25 de maio de 2008
Perceber o petróleo (Expresso, "Economia", 22.Abril.2006)
Publicada por José Caleia Rodrigues à(s) 16:07"Quando ouvimos falar em crise de petróleo deparamo-nos com um perigoso equívoco", isto porque, segundo Caleia Rodrigues, não estamos perante uma crise. Mas sim perante uma nova realidade - a escassez de uma matéria-prima - à qual nos temos que habituar. Uma crise, defende este autor, é por definição passageira. Ora não é disso que se trata.
Caleia Rodrigues fala-nos de uma situação irreversível que é uma "consequência natural da desenfreada intensificação e descontrolada massificação da utilização do petróleo". Como resultado: a procura é superior à oferta. "Enquanto a população mundial aumentou três vezes e meia desde 1890, a energia industrial consumida 'per capita', apesar de desigualmente repartida, aumentou mais de sete vezes durante mesmo período e a energia total consumida a nível mundial aumentou quase catorze vezes". Esta obra (Petróleo, Qual Crise?), que apresenta inúmeros dados económicos de fontes diferentes, é elucidativa sobre a evolução do mercado petrolífero ao longo dos últimos anos. E apresenta ainda o petróleo como uma fonte natural que corre (comparativamente) cada vez mais, para os países em vias de desenvolvimento em detrimento dos países desenvolvidos. São expostos, entre outros, os diferentes cenários que estão a ser estudados para fazer face a esta situação; e os interesses políticos que estão em cima da mesa.
Mafalda Aguiar
Etiquetas: Crítica (Comunicação Social)
Que preço terá que atingir o barril para que comecem os mega-investimentos requeridos? (J. Caleia Rodrigues, in Executive Digest, Junho 2006)
Publicada por José Caleia Rodrigues à(s) 15:59Perante a escassez de reservas comprovadas de petróleo bruto convencional e da capacidade de refinação disponível, é feito apelo a novo e substancial investimento no sector.
A não se realizarem investimentos de grande envergadura, envolvendo sectores a montante e a jusante, a produção mundial no ano 2020 será sensivelmente a mesma que se obtinha em 1980.
Porém, a população mundial atingirá quantidade aproximadamente dupla e muito mais industrializada, logo mais dependente do petróleo, do que em 1980. Portanto, a procura mundial por petróleo, ultrapassará largamente o seu ritmo de aumento de produção. Numa situação destas, os preços continuarão a subir incessantemente e as economias dependentes do petróleo para o seu desenvolvimento sustentado implodirão com os consequentes potenciais riscos de confrontações violentas.
Os efeitos consequentes de uma pequena quebra na produção produz efeitos devastadores. Lembremo-nos que, durante os choques petrolíferos da década de 70, a redução da produção atingiu apenas os 5 por cento, causando a quadruplicação dos preços do petróleo convencional. Afortunadamente, a catapultagem desses preços foi temporária e passageira. Por isso foram chamados “choques”.
Segundo as estimativas de muitos analistas, o inevitável decréscimo de produção poderá atingir uma taxa de 8 por cento anuais, Outros até predizem reduções da ordem dos 10 a 13 por cento. Grande parte dos petrofísicos expressam a opinião de que o ano 2007 será o último ano da bonança do petróleo barato, o que conduzirá a uma maior escassez de combustíveis e a um severo aumento de bloqueamentos a começar entre 2008 e 2012.
As chamadas “alternativas” ao petróleo podem ser consideradas, de facto, actualmente como “derivativas”. Sem abundante e seguro abastecimento de petróleo, não parece ser possível alcançar estas alternativas em grau suficiente que energize rapidamente o mundo moderno.
Recordemos que, após uma primeira informação de possibilidade de existência de nova bolsa petrolífera, só as análises sísmicas que permitem determinar a estrutura dos jazigos (rochas-reservatório), quer em quantidade extraível quer em qualidade (densidade, taxas de enxofre, etc.), atingem encargos de não poucos milhões de dólares. Note-se que, actualmente, já se estão a realizar extracções a mais de 3 mil metros de profundidade.
A globalização da economia e a internacionalização das empresas, também poderá ter contribuído para o agravamento do consumo global de combustíveis, dado que os produtos percorrem grandes distâncias desde os locais de produção até chegarem aos mercados consumidores. Daí o recurso à deslocalização dos centros de produção para inserção em locais mais próximos dos consumidores finais.
À guisa do realce da urgência da implementação de novos desenvolvimentos, devemos salientar que são precisos, pelo menos, 12 anos desde a tomada de decisão até à obtenção de taxas correntes de produção a partir do petróleo pesado ou dos xistos betuminosos. Não considerando tempos de revisão do projecto para adaptação às constantes alterações das exigências ambientais a cumprir. Na mesma ordem de ideias, são precisos 15 anos para a aprovação e construção de uma refinaria de processamento de petróleo pesado, mesmo tendo em conta um conhecimento tecnológico disponível e um perfeito respeito pelas normas ambientais. Apesar das esperanças postas no petróleo pesado e extra-pesado, deve ter-se em consideração que só apresentam soluções de satisfação a médio-prazo.
J. Caleia Rodrigues
Etiquetas: Artigo de Opinião
Forum da Energia: O Futuro da Energia, as Energias do Futuro (J. Caleia Rodrigues, Conferência "água & ambiente", Lisboa, 21 a 24.Novembro.2006)
Publicada por José Caleia Rodrigues à(s) 13:33Nota de abertura da Conferência
Em primeiro lugar devo saudar e louvar os promotores deste Forum por esta oportuna iniciativa.
O convite para vir moderar o painel denominado “Da crise do petróleo à oportunidade das energias alternativas” constituiu para mim um privilégio que vou tentar merecer.
Isto, porque, nestas matérias, sou um activo incitador e hoje vejo-me a desempenhar o papel de moderador.
No que se refere à indicada “Crise de petróleo” que constitui a primeira parte do título desta mesa redonda, sinto-me na obrigação, para ser coerente em relação ao que tenho dito e escrito, de apresentar a minha posição, partilhada por muitos outros analistas desta matéria: nem o sector nem o mercado petrolíferos atravessam uma crise.
Uma crise é algo de passageiro ou transitório.
A situação aparenta um fim de ciclo que se caracterizou por uma suficiente capacidade extractiva instalada no sector e um regular abastecimento ao mercado.
É por demais evidente a dependência económica configurada por numerosos países, na sua incessante busca de novas e mais seguras origens de bens energéticos, indispensáveis à manutenção do seu tecido social e económico.
O que os torna estratégicos é a sua influência na soberania e na segurança nacionais.
A energia assumiu uma posição dominante na extensa agenda política económica.
Apresenta-se, nas suas várias formas, como símbolo de desenvolvimento económico e, ainda mais, de riqueza e prosperidade.
O acesso e o controlo dos recursos energéticos constituem uma preocupação central dos governantes e de todos aqueles que se encontram envolvidos em processos de produção industrial.
A situação colocada em torno da disponibilidade e entrega de petróleo ao mercado está na ordem do dia.
Podemos enumerar a acumulação de constrangimentos exógenos a que o sector foi sujeito, de entre os quais se podem salientar:
· a duplicação da população mundial tendente para explosão demográfica, dado que passou dos 3 para os 6 mil milhões de habitantes em apenas 40 anos;
· o aumento desmesurado do consumo de combustíveis fósseis;
· as constantes e sucessivas pressões geopolíticas que têm colocado o sector petrolífero em permanente instabilidade.
Mas também encontramos muitos factores dentro do próprio sector, que provocaram grandes constrangimentos, tais como:
· O encerramento de inúmeros poços de extracção, não totalmente substituídos por outras novas explorações. Só nos Estados Unidos, dos cerca de 1.500 poços em actividade no início da década de 1980, só estão actualmente em actividade 560.
· O sector da refinação foi submetido a idêntico processo, nalguns casos devido à exigência de adaptação ás novas regras ambientais. Enquanto, no início da década de 1980 se dispunha de uma capacidade de refinação superior ao consumo em cerca de 25 por cento, situa-se, actualmente, em valores muito próximos dos do consumo. Ou seja, o sector da refinação dispõe apenas, actualmente, de uma margem mínima de capacidade para acomodar mais aumentos de produto a entregar ao mercado.
· o arrefecimento do investimento no sector petrolífero durante as décadas de 1980 e 1990, em toda a cadeia petrolífera, desde a sondagem e detecção de novas bolsas petrolíferas, abertura de novas extracções ou da construção de novas e mais adequadas refinarias.
Encontramo-nos hoje perante opções a tomar, que não podem continuar a ser adiadas, sob pena de nos vermos, a curto prazo, numa situação de carência generalizada, de consequências muito difíceis de ultrapassar:
· Se os preços do barril de petróleo forem colocados de tal modo baixos que os tornem acessíveis às economias débeis e dependentes da importação do petróleo para satisfazer as suas necessidades energéticas, desmotiva o investimento em novas descobertas e novas produções. Logo, o produto escasseará e provocará tomadas de posição que podem conduzir a conflitos de imprevisível dimensão.
· Se os preços forem colocados a um nível que incite o investimento, corre-se o risco do esmagamento global das economias dependentes, inclusivamente das ocidentais europeias e das norte-americanas.
Recordo que os países da União Europeia, dependentes da importação de petróleo, pagaram cerca de 240.000 milhões de dólares o ano passado e os Estados Unidos, nada menos do que cerca de 300.000 milhões. Qualquer subida substancial no valor do barril de petróleo provocará grande agitação nas suas economias.
Daí a necessidade imperiosa da racionalização dos consumos do petróleo, da eficiência energética e do crescente recurso à utilização das energias alternativas.
Para isso aqui estamos hoje, para ouvir o que têm para nos dizer alguns dos maiores players nesta estratégica e sensível matéria.
J. Caleia Rodrigues
Hotel Meridien, Lisboa
Etiquetas: Conferência
Principais fornecedores de petróleo de Portugal apresentam risco elevado (Vida Económica, "Risco País", 17.Novembro.2006)
Publicada por José Caleia Rodrigues à(s) 02:37Os principais fornecedores de petróleo de Portugal apresentam um risco elevado, segundo o “The Handbook of Country Risk”, uma análise da COFACE que mede o índice de risco país a médio e longo prazos.
De acordo com o estudo, entre os 13 fornecedores avaliados, quatro demonstram “muito elevado risco”. São eles: Angola, o Iraque, a Guiné Equatorial e a Nigéria. Quanto aos quatro primeiros fornecedores de petróleo, o risco para a economia nacional baixa. A Argélia que exporta 20.641 mil barris por ano, apresenta “pouco baixo risco”. A Nigéria, ao vender 15.708 mil barris anualmente, tem “um muito alto risco” a médio e a longo prazos. A Arábia Saudita também apresenta um “pouco baixo risco”, comercializando todos os anos 9.023 mil barris. Já o Brasil, que é o nosso quarto país exportador de petróleo, apresenta um “muito alto risco”.
Quer isto dizer que, além da superdependência portuguesa, as transacções efectuadas com estes fornecedores são de alto risco. Um contexto que agrava as despesas do Estado, mas também deteriora o relacionamento entre empresas e consumidores, alertou Caleia Rodrigues.
Para o especialista em economia e política internacionais, que interveio na segunda conferência da COFACE sobre rico país, Portugal tem, urgentemente, que adoptar medidas estratégicas. O alerta não recai apenas no âmbito nacional, mas também no espaço da União Europeia. À excepção da Dinamarca e do Reino Unido, a Europa está numa situação de dependência no que toca a combustíveis, já que consome seis vezes mais do que produz. O académico defende uma ainda maior eficiência energética entre os responsáveis comunitários, considerando fundamental a continuidade do diálogo entre os Estados-membros.
Um facto preocupante para Caleia Rodrigues prende-se com a constante subida das importações de energia, mesmo com a também contínua escalada dos preços do petróleo. No caso de Portugal, o conselho do especialista não revela qualquer novidade. Para enfrentar a dependência ao nível do petróleo, o nosso país tem que optar pelas chamadas energias alternativas. Só o petróleo representa 71% das nossas importações ao nível energético. Por isso, sustenta: “Tal como todos os países extremamente dependentes, Portugal deve investir nas energias alternativas”.
De acordo com a Direcção-Geral de Geologia e Energia, em 2004, o nosso país foi o quinto Estado da Europa a 15 “com maior incorporação de energias renováveis”.
Recorde-se que a factura energética nacional, no saldo de importações, agravou-se no ano passado em 45,1%, traduzindo-se em 5514 milhões de euros. Em comparação com 2004, a importação de energia subiu 2201 milhões de euros face ao ano anterior.
by Gabriela Raposo
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sábado, 24 de maio de 2008
Petróleo e energias alternativas (J. Caleia Rodrigues in SaeR, Geopolítica & Prospectiva, Novembro.2007)
Publicada por José Caleia Rodrigues à(s) 14:43O aumento do consumo de energia e as ameaças à segurança ambiental estão intimamente ligados às pressões que as populações exercem nos recursos de suporte da vida do planeta.
Encontramo-nos perante uma consequência da desenfreada intensificação e da promoção massificada do consumo do petróleo, seguidas por um período em que o investimento não acompanhou a taxa de crescimento da procura, de tal modo que pode vir a comprometer o desenvolvimento sustentável.
Em face deste panorama, seremos obrigados a conjugar as várias fontes energéticas alternativas disponíveis, utilizá-las racionalmente e compaginar ambiente mais limpo com desenvolvimento económico.
No equilíbrio das várias opções a tomar, residirá a continuidade do bem-estar da civilização, tal como a conhecemos.
Índice
Promoção irresponsável do consumo de energia
A componente estratégica do petróleo
Disponibilidades e consumo
A exagerada dependência portuguesa
Variação dos preços: Causas e consequências
Combustíveis fósseis alternativos
Alternativos energéticos fora do âmbito dos combustíveis fósseis
Conclusões e prospectivas
Etiquetas: Estudos
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Reservas mundiais de petróleo podem não chegar (Diário Económico, Finanças, 23.Maio.2008)
Publicada por José Caleia Rodrigues à(s) 11:02A produção não vai acompanhar a procura. Ruptura é possível.
O cenário é mais negro do que se pensava e a principal entidade responsável pela monitorização do consumo energético mundial está a preparar uma revisão das suas previsões para o fornecimento de crude.
Ao que tudo indica a oferta do “ouro negro” dos maiores campos petrolíferos do mundo não é suficiente para fazer face ao actual ritmo de crescimento da procura. A leitura pode não parecer nova mas agora existem números para o comprovar. Pela primeira vez, a Agência Internacional de Energia (AIE) está estudar minuciosamente a capacidade de fornecimento de crude dos 400 maiores campos de petróleo do mundo. O estudo completo só será divulgado em Novembro. No entanto, segundo os dados a que o ‘Wall Street Journal’ teve acesso, já é possível concluir que a capacidade de fornecimento de petróleo destes campos poderá ser muito menor do que a inicialmente se pensava.
Durante muitos anos, a AIE pensou que a oferta de crude e de outros combustíveis líquidos iria acompanhar a procura crescente da matéria-prima, passando de um fornecimento dos actuais 87 milhões de barris por dia para os 116 milhões de barris diário, em 2030.
No entanto, o estudo vem demonstrar que, para muitas empresas, já será difícil conseguir ultrapassar uma produção de 100 milhões de barris por dia, nas próximas duas décadas, devido não só ao envelhecimento dos campos de petróleo como também da diminuição do investimento das empresas. Ou seja, a falta de petróleo poderá chegar mais cedo que o previsto, embora o relatório, na parte já divulgada, não aponte uma data. “O investimento necessário para o petróleo é muito superior ao que as pessoas pensam”, adiantou Fatih Birol, economista-chefe da IEA e responsável pelo estudo, em entrevista ao ‘Wall Street Journal’.
Para inverter ou pelo menos atenuar este cenário, José Caleia Rodrigues não tem dúvidas de que “tem de haver um abrandamento da procura”, adiantou ao Diário Económico o consultor e especialista em energia.
Segundo o especialista o aumento das “taxas de esgotamento” vai conduzir à falta de crude. A manter-se este cenário “dentro de três a quatros anos vai haver falta de petróleo no mercado. Serão sobretudo um conjunto de países, no qual se insere Portugal, que vão sofrer mais e não os grandes como, por exemplo, os EUA”, esclareceu Caleia Rodrigues.
No entanto, a recente escalada do preço do petróleo nos mercados internacionais não está relacionada com o binómio da oferta e procura de crude.
Segundo Nuno Ribeiro da Silva, presidente da Endesa Portugal e economista, o facto de o crude estar a cotar nos 135 dólares por barril está antes relacionado com a “desconfiança geral dos fundos de investimento e dos investidores no sistema financeiro, o que tem levado a que se refugiem nas reservas de valor, como por exemplo o petróleo”, adiantou em declarações ao Diário Económico.
Impacto imediato nas viagens e na alimentação
TAP aumenta preços - Sobe a taxa de combustível
A TAP já aumentou a sua taxa de combustível. Nos voos dentro da Europa, esta taxa passa de 29 para 32 euros; nos internacionais o aumento chega aos 10 euros. A American Airlines foi mais drástica e anunciou mesmo a redução da frequência dos voos em algumas rotas.
Bagagem custa 9,5 euros - Passageiros pagam cada mala
As companhias aéreas internacionais já avisaram que com os combustíveis mais caros os custos serão partilhados com os passageiros. A Air France-KLM ainda não avança valores mas a American Airlines já anunciou que vai cobrar 9,5 euros por cada mala embarcada.Peixe mais escasso - Armadores fazem greve
Sindicatos de pescadores e associações de armadores ameaçam deixar de ir ao mar enquanto o Estado não tomar medidas para suavizar os custos do aumento dos combustíveis. Tal poderá levar à escassez de peixe em Portugal. O Governo já rejeitou a atribuição de subsídios.
Carros europeus vão ter de gastar menos
O Parlamento Europeu já tem um plano em marcha para arranjar alternativas ao petróleo. Segundo os especialistas de Bruxelas os carros vendidos na União Europeia em 2020 terão de usar menos combustível do que os modelos actuais.
Guido Sacconi, o socialista italiano que está a trabalhar na legislação desta matéria, propôs limitar a média das emissões de carbono dos novos carros, em 2020, a 95 g/km, comparativamente aos 160 g/km de 2006, adianta o Financial Times.
No entanto, já existem alguns modelos no mercado que preenchem este requisito, estando mesmo abaixo dos 99 g/km de emissões de carbono do novo VW Golf Bluemotion, considerado o carro mais “limpo” à venda. Por exemplo, o VW Lupo, apenas emite 81g/km. Na União Europeia existem metas globais de emissões de CO2 que têm de ser cumpridas. O socialista Sacconi relembra, actualmente, os transportes rodoviários são responsáveis por 12% das emissões de CO2 na União Europeia e a tendência é para que este valor continue a aumentar. Isto deve-se, essencialmente, ao crescimento do número de carros em circulação no espaço europeu. ”.
Crude corrige depois de bater novos máximos
Extrema volatilidade. É a melhor forma de descrever a evolução dos preços do petróleo na sessão de ontem. O dia começou com novos máximos históricos, acima dos 135 dólares por barril, tanto para o crude vendido em Nova Iorque como para o Brent, que serve de referência às importações nacionais. Estas subidas deveram-se sobretudo ao valor das reservas norte-americanas, que voltaram a cair inesperadamente, e às declarações de responsáveis da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que dizem nada poder fazer para contribuir para a redução dos preços. Por outro lado, a escalada do crude deveu-se também a motivos técnicos: investidores fizeram ‘short-selling’, apostando na queda dos preços e, mesmo com estes em alta, tiveram de ir ao mercado comprar contratos para poder vender, honrando os contratos. A pressão aliviou-se na segunda metade da sessão, com a tomada de mais-valias, levando os preços a descerem mais de 2 dólares em Nova Iorque e cinco dólares em Londres.
Diário Económico
Edição Impressa - Finanças
Relatório da Agência Internacional de Energia 2008-05-23 00:05
Bárbara Barroso
23.Maio.2008
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quarta-feira, 21 de maio de 2008
Quanto mais tarde, pior (Diário Económico, Destaque/Escalada de preços do petróleo, 21.Maio.2008)
Publicada por José Caleia Rodrigues à(s) 10:04Já todos tomámos consciência de que a imparável escalada de preços do petróleo bruto nada tem a ver com crises.
Não é passageira nem localizada. É generalizada e motivada por tantos e tais parâmetros que não se consegue descortinar onde irá parar, que consequências arrastará e como nos iremos encontrar quando o mercado voltar a estabilizar. Com a procura sem abrandamento, o eventual esforço europeu ocidental de redução do consumo não conseguirá compensar os aumentos localizados na China e noutras economias em plena expansão. Já não falamos das implicações geopolíticas que só têm consequências pelo facto de não se dispor, actualmente, de suficiente reserva de capacidade extractiva, disponível nos produtores a actuar no terreno. A fraqueza do dólar é mais um elemento de ponderar. E quando o dólar elevar a paridade face ao Euro? Esta situação a juntar às anteriores causa preocupação. Tanto mais que os Orçamentos de muitos Estados de países dependentes da importação de petróleo bruto ainda se vão compondo com receitas de impostos aplicados ao produto. Porém, é bem sabido que, se a redução de tais impostos pode provocar carência de recursos ao Estado, com a panóplia de consequências sociais que podem, no limite, interferir com a sua segurança e soberania, a continuidade da sua manutenção pode estrangular o desenvolvimento económico. De uma coisa podemos estar certos: quanto mais tarde vier o remédio, mais difícil será curar a moléstia.
José Caleia Rodrigues, Consultor na área do petróleo
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