terça-feira, 11 de abril de 2017

A forte procura ou preocupações acerca da protecção de materiais raros poderá continuar a motivar os países ao desenvolvimento ou à segurança das suas próprias fontes de fornecimento, ultrapassando os mercados internacionais. Contudo, alterações políticas imprevisíveis ou retroactivas de protecção dos recursos poderão provocar um considerável arrefecimento quer nos investidores quer nos consumidores. Sublinhe-se que a desigual distribuição de recursos incluindo alimentares, água, energia e materiais críticos irá fazer-se sentir cada vez mais. A desigual disponibilidade de água e de alimentos, especialmente em países que sofram de escassez também provoca instabilidade e violência. Podemos sublinhar que a concorrência por alguns recursos poderá intensificar e exacerbar as tensões políticas e de segurança. ... As estimativas das várias agências especializadas nestas matérias indicam que populações sujeitas a falta de água variam entre os 450 e os 1.300 milhões de pessoas. Sem acções que mitiguem esta carência poderemos chegar ao ano 2045 – ou até mesmo antes - com 3.900 milhões de pessoas a sofrer de carência de água potável, ou seja, cerca de 40% da população mundial. ... Foi divulgado que estão decorrendo conflitos em cerca de 3.000 bacias de rios transnacionais e inter-regionais, com os pontos mais quentes localizados no Médio Oriente, onde as dificuldades criadas pela escassez de água têm sido agravadas pelos conflitos, guerra, ambiente e instabilidade política. ... Se os Estados Unidos mantiverem a taxa de aumento de produção poder-se-ão tornar no maior produtor de petróleo à escala mundial ao atingir o ano 2020 e a um grande exportador ao chegar o ano 2030 introduzindo, deste modo, uma profunda alteração no sector industrial energético. ... A redução de procura de petróleo pelos Estados Unidos no Médio Oriente associada à viragem deste para os mercados asiáticos poderá pôr em causa o seu envolvimento na defesa do Golfo Pérsico e das rotas de exportação do Médio Oriente que se poderá alterar significativamente. Contudo, os Estados Unidos poderão entender que outros países, incluindo a China ou a União Europeia, devam desempenhar um papel mais importante na segurança de abastecimentos do Médio Oriente. In SaeR, Relatório Trimestral - Março.2017

Não será nunca demais salientar que a vida na terra irá mudar substancialmente nos próximos 30 anos com evidentes impactos em toda a população que, muito provavelmente, irá atingir uma muito maior longevidade. As grandes alterações demográficas poderão gerar novas ameaças, se bem que igualmente novas e mais variadas oportunidades sobretudo em muitos países economicamente desenvolvidos e retracção em países ditos em vias de desenvolvimento. Não devemos esquecer o agravamento introduzido pela crescente quantidade de migrantes através de todo o globo a que cada vez estaremos mais ligados. Poderá prever-se a continuação da desigualdade entre géneros, pobreza e insegurança em grande parte do mundo. Poderá prever-se a continuação da desigualdade entre géneros, pobreza e insegurança em grande parte do mundo. Os Governos poderão ficar sujeitos a enormes pressões para enfrentar os novos desafios e, se as expectativas sociais não forem cumpridas, poderão surgir novos focos de violência, nomeadamente se atendermos a que nos próximos 30 anos 70% do aumento populacional deverá viver em áreas urbanizadas. ... Se os avanços nas tecnologias aplicadas ao sector energético forem insuficientes para assegurar as quantidades de electricidade requeridas para o desenvolvimento económico, os países poderão continuar a queimar hidrocarbonetos a taxas cada vez mais altas. Esta situação conduzirá inevitavelmente ao aumento dos níveis dos gases com efeitos de estufa, o que provocará longas ondas de calor em latitudes normalmente temperadas, além de frequentes falhas nas colheitas motivadas pela directa influência nos solos aráveis que, sujeitos ... Note-se que, em 1990, 154 milhões de pessoas viviam fora dos seus países de origem e actualmente já são 232 milhões. Apesar desses países tentarem limitar a saída dos seus cidadãos, os seus resultados são considerados residuais. ... Poderemos sublinhar que, em relação às questões relacionadas com defesa e segurança, as regiões com maiores populações jovens e governações débeis poderão sentir forte instabilidade que poderá conduzir a desintegração ou conflito. ... Ambientes degradados e ameaçados também poderão incitar a migração de comunidades afectadas criando eventuais potenciais desestabilizações. As forças armadas e de segurança, quer internamente quer no exterior, deverão ter que enfrentar tarefas mais frequentemente, assumindo um papel mais activo na assistência humanitária. Sem as indispensáveis medidas de mitigação, tais como captura e armazenamento do carbono, o continuado apoio no carvão e nos hidrocarbonetos na geração da maioria da procura de energia poderá exacerbar as alterações climáticas e os seus efeitos perniciosos. In SaeR, Relatório Trimestral - Dez.2016

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

No passado recente os ambientalistas anunciavam incessantemente que o mundo iria rapidamente ser privado de petróleo. Isso não irá acontecer. A escassez anunciada nas reservas comprovadas de petróleo disponível no planeta permitiu-lhe assumir um poder funcional que lhe garantiu atributos de produto estratégico, de arma diplomática, de factor de poder e de produto financeiro, Porém, o petróleo perdeu a característica de produto escasso. Logo, perdeu valor. … Com o desenvolvimento da produção registado na Federação Russa desde o ano 2000, e da dos Estados Unidos desde o ano 2009, a OPEP (…) já não dispõe do poder que lhe permita continuar a chamar a si o papel de comandante e manobradora do mercado. Os Estados Unidos ou a Federação Russa, por si sós, também não conseguirão vir a dispor desse poder a médio prazo, Logo, esse vazio poderia e deveria ser preenchido por entidade supranacional que impusesse a desejável ordem no mercado mundial. In SaeR- Relatório Trimestral - Junho 2016

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Petróleo não estava tão barato há uma década É uma boa notícia para os bolsos dos automobilistas, mas o excesso de oferta pode dar origem a uma "bolha" perigosa. O preço do barril de petróleo atingiu esta segunda-feira mínimos de uma década. O “brent”, que serve de referência para o mercado europeu, chegou a ser comercializado a 36,5 dólares, valor próximo dos registados em 2004. O preço sofreu depois uma ligeira valorização para cerca de 37,90 dólares, ainda assim um valor inferior ao verificado no fecho do mercado na última sexta-feira. Em declarações à Renascença, José Caleia Rodrigues, especialista em geopolítica da energia, atribui esta baixa de preços ao excesso de oferta. “Os Estados Unidos, que eram o maior importador de petróleo, estão a caminhar para a auto-suficiência. Já libertaram mais de um milhão de barris diários de importações, de há dois anos para cá. Logo, o mercado está a ser sobreabastecido", diz. O especialista apresenta também uma razão politica: “Há uma pressão enorme sobre a Rússia que, com o petróleo a este valor, tem muita dificuldade em obter recursos para pagar todas aquelas modificações sociais e apoios que vinha a fazer. E isso é muito complicado.” A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decidiu recentemente aumentar a sua produção de 30 milhões para 31,5 milhões de barris por dia, o que tem ajudado a pressionar a baixa de preço. Na opinião de José Caleia Rodrigues, é perigoso o preço do petróleo manter a curva descendente, até porque os Estados Unidos estão a obter a matéria-prima a valores substancialmente superiores aos praticados pelo mercado. “Os Estados Unidos produzem entre os 50 e os 60 dólares o barril. Se o valor de mercado é de 30 e poucos estão a produzir a matéria-prima ao dobro do preço do mercado. Aí já é uma situação complexa. A outra é a Rússia não dispor de recursos para o seu programa social. Baixar mais do que isto já é perigoso. Já nos faz pensar que alguma coisa pode vir a acontecer. É uma bolha a evitar", diz Caleia Rodrigues. A manter-se a actual tendência de descida de preço do barril de petróleo, não é de excluir nova baixa no preço dos combustíveis no início da próxima semana. Esta segunda-feira, as principais gasolineiras baixaram o preço do litro do gasóleo cerca de três cêntimos. A gasolina desceu perto de 1,5 cêntimos. 14 dez, 2015 - 18:25 • Henrique Cunha

terça-feira, 3 de maio de 2016

Revolução do petróleo de xisto nos Estados Unidos prejudicou Angola André Cabrita-Mendes | andremendes@negocios.pt | 03 Maio 2016, 13:11 Os Estados Unidos passaram de importador a produtor de combustíveis fósseis, o que tem provocado o cancelamento e colocado em risco a viabilidade de projectos de exploração em países lusófonos. A revolução do petróleo e do gás de xisto nos Estados Unidos está a prejudicar a exploração do petróleo offshore (no mar) em Angola. Estas plataformas petrolíferas são dispendiosas e acarretam elevados custos, e num mundo com o barril de petróleo abaixo dos 70 dólares estes projectos estão sob pressão. Esta foi uma das conclusões da mesa redonda sobre petróleo e geopolítica que teve lugar durante o VI Congresso da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) nesta terça-feira, 3 de Maio, em Lisboa. "Hoje o petróleo angolano não e indispensável para os Estados Unidos", começou por apontar o especialista em geopolítica do petróleo, José Caleia Rodrigues. Durante muitos anos, o pais serviu como um "depósito de petróleo a funcionar durante 24 horas" e que rapidamente atravessava o Atlântico rumo aos Estados Unidos quando necessário, explicou. O crescimento na produção norte-americana e as consequentes mudanças nos mercados mundiais são sinais "muito preocupantes para angolanos, moçambicanos e brasileiros", disse Caleia Rodrigues, pois colocam em risco os projectos mais dispendiosos. O presidente da petrolífera Partex, por seu turno, também se debruçou sobre este país lusófono para concluir que "Angola cometeu um erro estratégico em apostar só no offshore". António Costa e Silva (na foto) começou por destacar que a revolução do petróleo e do gás de xisto mudou o custo marginal da produção que antes estava no offshore. "Hoje para respondermos à procura mundial não precisamos do offshore". Contudo, considera que estes projectos vão voltar a ser viáveis quando o preço do barril regressar aos 70-80 dólares. Deu o exemplo do projecto de Chissanga, cuja desenvolvimento foi adiado. Destacou que existe muito potencial no "onshore" (em terra) angolano, como nas bacias do Alto do Namibe, Cuando Cubango ou do Kwanza, mas que as autoridades deixaram passar oportunidades para explorá-los, ao não usarem métodos sísmicos avançados para analisar estas bacias. Defendeu assim que "Angola deve desenvolver uma estratégia", para ultrapassar a actual situação, isto num país em que 80% das receitas e mais de 90% das exportações dependem do petróleo. "Angola podia ter aproveitado o 'boom' do petróleo para diversificar a economia, o que não aconteceu, os esforços das autoridades foram poucos, e os diamantes representam apenas 2% do PIB", enumerou. Para terminar, destacou que Angola só tem reservas provadas de petróleo para 15 anos, o que é "muito pouco".

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Entrevista

Petróleo não estava tão barato há uma década É uma boa notícia para os bolsos dos automobilistas, mas o excesso de oferta pode dar origem a uma "bolha" perigosa. O preço do barril de petróleo atingiu esta segunda-feira mínimos de uma década. O “brent”, que serve de referência para o mercado europeu, chegou a ser comercializado a 36,5 dólares, valor próximo dos registados em 2004. O preço sofreu depois uma ligeira valorização para cerca de 37,90 dólares, ainda assim um valor inferior ao verificado no fecho do mercado na última sexta-feira. Em declarações à Renascença, José Caleia Rodrigues, especialista em geopolítica da energia, atribui esta baixa de preços ao excesso de oferta. “Os Estados Unidos, que eram o maior importador de petróleo, estão a caminhar para a auto-suficiência. Já libertaram mais de um milhão de barris diários de importações, de há dois anos para cá. Logo, o mercado está a ser sobreabastecido", diz. O especialista apresenta também uma razão politica: “Há uma pressão enorme sobre a Rússia que, com o petróleo a este valor, tem muita dificuldade em obter recursos para pagar todas aquelas modificações sociais e apoios que vinha a fazer. E isso é muito complicado.” A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decidiu recentemente aumentar a sua produção de 30 milhões para 31,5 milhões de barris por dia, o que tem ajudado a pressionar a baixa de preço. Na opinião de José Caleia Rodrigues, é perigoso o preço do petróleo manter a curva descendente, até porque os Estados Unidos estão a obter a matéria-prima a valores substancialmente superiores aos praticados pelo mercado. “Os Estados Unidos produzem entre os 50 e os 60 dólares o barril. Se o valor de mercado é de 30 e poucos estão a produzir a matéria-prima ao dobro do preço do mercado. Aí já é uma situação complexa. A outra é a Rússia não dispor de recursos para o seu programa social. Baixar mais do que isto já é perigoso. Já nos faz pensar que alguma coisa pode vir a acontecer. É uma bolha a evitar", diz Caleia Rodrigues. A manter-se a actual tendência de descida de preço do barril de petróleo, não é de excluir nova baixa no preço dos combustíveis no início da próxima semana. Esta segunda-feira, as principais gasolineiras baixaram o preço do litro do gasóleo cerca de três cêntimos. A gasolina desceu perto de 1,5 cêntimos. Rádio Renascença 14 Dez, 2015 - 18:25 • Henrique Cunha

domingo, 24 de janeiro de 2016

Entrevista

O domínio das tecnologias no sector produtivo petrolífero Por José Caleia Rodrigues, Geopolítico e Investigador. Dado que as novas disponibilidades tecnológicas poderão vir a ser aplicadas em muitas bolsas petrolíferas existentes em países ainda não exportadores ou de qualidade e localizações diferentes, abrirão, consequentemente, um campo de actividade e de novas oportunidades a empresas industriais, impensável algumas décadas atrás. Nesta nova ordem de oportunidades poderão colaborar directamente com as empresas estatais detentoras dos recursos ou com as empresas privadas concessionárias dos blocos petrolíferos. Ressalta, desta constatação, que a tecnologia constituirá a chave-mestra no desenvolvimento do sector petrolífero a médio e a longo prazos. Poderemos inferir que as novas explorações disponíveis para desenvolvimento encontram-se dependentes de tecnologias de difícil obtenção, em localizações de elevado risco político ou de difícil acesso. Como tivemos oportunidade de publicar a seu tempo: mais longe, mais fundo, mais caro. Contudo, a produção e a descoberta de campos petrolíferos que contêm imensas quantidades de novas qualidades apenas se encontrava à espera da capacidade de acesso aos novos conhecimentos tecnológicos que começavam a despontar. Quer se tratasse de recursos petrolíferos de origem biótica quer abiótica (não fóssil). Saliente-se que a sua descoberta terá aumentado cerca de 2,5 vezes desde o ano 1980 até ao 2010. Ressalve-se que esta crescente abundância de recursos à escala mundial, de improcedente dimensão, correrá o risco de promover de tal modo a produção que se torne muito superior ao consumo, arrastando consigo uma superprodução e uma eventual queda abrupta dos preços de mercado, não fora os elevados custos de exploração dos novos recursos. As previsões de consumo elaboradas pelas agências internacionais que se ocupam desta matéria indicam que ao atingir-se o final de mais um decénio poderão ter aumentado em cerca de 50 milhões de barris diários, um acréscimo equivalente a quase metade do consumo corrente que ronda os 93 milhões. Enquanto os opinion-makers, os decision-makers, os académicos e os mercados financeiros parece terem sido apanhados pela falácia do peak oil e pelo excessivo entusiasmo posto nas energias renováveis alternativas ao petróleo, os preços de mercado e os novos conhecimentos tecnológicos que permitirão extracções tão abundantes quanto se queiram, de novas origens “desconvencionalizadas” (como sejam o shale oil, o sand oil ou os ultrapesados), ou de jazidas localizadas a grandes profundidades (para além dos 7.000 metros), suportaram um desenvolvimento que poderá alterar, de forma radical, a abordagem que tem sido feita na área da energia e da geopolítica, colocando o domínio dos recursos petrolíferos e o seu inerente poder nas mãos dos detentores dos recursos tecnológicos e dos recursos financeiros que permitam pô-los em marcha. Logo, os Estados em que se encontrem localizados os recursos petrolíferos e que dispõem do poder de adjudicar concessões de explorações petrolíferas a seu livre arbítrio poderão vir a ficar reféns desse novo domínio e inerente poder que, no limite, até poderá discriminar quando e onde se irão realizar os empreendimentos. À nova tecnologia de detecção e de inventariação seguiu-se o desenvolvimento de outras aplicadas à exploração que revolucionou por completo a indústria petrolífera e ultrapassou, de forma definitiva, o receio de uma eventual crise de carência no mercado mundial. Torna-se claro que será nos novos desenvolvimentos tecnológicos que assentarão as grandes oportunidades de exploração, quer a montante quer a jusante da cadeia produtiva, pelo que se impõe o acesso aos recursos técnicos e aos equipamento de extracção e de sintetização, quando for caso disso, dos produtos obtidos das novas origens petrolíferas. O seu domínio colocará um novo factor de poder nas mãos dos seus detentores. Os Estados soberanos dos recursos terão que passar a aguardar pela capacidade técnica das empresas industriais que dominem a tecnologia requerida a quem poderão ser requisitados os seus serviços e a sua capacidade técnica.