quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A descida do crude é explicada pela menor procura que acontece no Verão. Passado este efeito sazonal, as subidas voltarão porque se mantêm os problemas estruturais.

A queda recente dos preços do petróleo será temporária, pelo que a matéria-prima continuará a pressionar o crescimento dos países mais dependentes de energia importada, como Portugal. E os preços das mercadorias e dos transportes (e por essa via a dar argumentos para subidas das taxas de juro).
Apesar da forte descida – o barril de Brent caía ontem quase 25 dólares face ao máximo histórico de 143 dólares de 11 de Julho –, o preço médio do contrato, calculado desde o início do ano, valia 73,6 euros (113,2 dólares). Medido na moeda única, o crude está actualmente 40% mais caro face à média de 2007.
Os especialistas ouvidos dizem que os factores especulativos e algumas causas sazonais justificam o alívio “momentâneo” do petróleo. Passada esta fase – uma etapa em que os fundos (hedge funds) lucram com a venda de contratos altamente valorizados marcada pela menor procura associada ao Verão e pelo abrandamento económico e da procura dos países ocidentais, etc. – os peritos consideram que os argumentos para o petróleo voltar a subir continuam intactos.
A procura mundial cresce tendencialmente mais do que a oferta, o cartel do petróleo (OPEP) continua a ter muito controlo sobre as entregas ao mercado, é cada vez mais caro investir na exploração (há muito petróleo no mundo, mas é bastante mais difícil lá chegar), há entraves tecnológicos importantes à produção, o retorno dos projectos de investimento é cada vez mais demorado.
Eduardo Oliveira Fernandes, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, salienta que “o jogo especulativo está a ser determinante para este sobe e desce”.
Mas sempre que o preço do petróleo dispara, vence patamares aos quais dificilmente regressará”. E isto porquê? “Porque o problema de fundo continua o mesmo: a procura cresce mais do que a oferta”.

José Caleia Rodrigues, consultor na área da energia, diz que “esta redução no preço era expectável. Subiu tanto que teria de cair um pouco. Mas é inevitável que volte a subir e a vencer novos máximos”. A procura costuma ser mais moderada no Verão, “mas os factores para que volte a disparar estão lá todos”, aponta. E dá exemplos: “investir na exploração é cada vez mais caro, o retorno de projectos como o Tupi no Brasil só acontecerá daqui a 10 ou 12 anos. No fundo há um problema latente e sério do lado da oferta a prazo que é saber com que dinheiro e fiabilidade se conseguirá extrair petróleo de sítios muito complicados, como as reservas nas águas ultra-profundas [Brasil] ou nas areias betuminosas [Canadá]”.

Richard Cooper e Simon Fox, consultores da Mercer para o sector da energia, também defendem que o ritmo das subidas de preços dos últimos anos “sugerem que os fundamentais não são os únicos gatilhos” do actual choque petrolífero, apontando o dedo à “procura especulativa”. “O consenso geral é que o petróleo permaneça acima de 100 dólares”, podendo mesmo disparar ocasionalmente. Há analistas a falarem em picos de 200 ou 300 dólares, sublinham.
James L. Williams, presidente da WTRG Economics, é de todos os menos pessimista. “O preço pode baixar até menos de 100 dólares por barril e ir até 85 dólares na Primavera de 2009”, mas “isto dependerá do grau de contágio dos problemas dos EUA ao resto do Mundo e da não existência de um conflito no Irão”.


Diário Económico
Edição Impressa - Economia
Luís Reis Ribeiro
Energia 2008-08-06 00:05

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Barack Obama propôs, esta segunda-feira, a venda de 70 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas do país para enfrentar a alta dos combustíveis.

À TSF, o especialista Caleia Rodrigues considerou a proposta uma mera «declaração política».

Caleia Rodrigues, especialista em Economia Política, diz que a venda de 70 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas dos EUA iria ter grande impacto no mercado

Caleia Rodrigues diz que a proposta de Obama é apenas uma declaração política

O candidato presidencial democrata dos Estados Unidos propôs, esta segunda-feira, a venda de 70 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas do país para enfrentar a subida de preços dos combustíveis.
«Deveríamos vender 70 milhões de barris de crude da nossa Reserva Estratégica de Petróleo e substituí-los por crude menos caro, o que no passado reduziu os preços da gasolina num prazo de duas semanas», defendeu Barack Obama, quando discursava em Lansing, no Estado do Michigan.
Esta é a primeira vez que o candidato democrata defende, em nome do «sofrimento» dos norte-americanos, o uso das reservas estratégicas petrolíferas dos Estados Unidos para combater a escalada de preços dos combustíveis.
Obama, que apresentou também medidas de longo prazo, como o desenvolvimento das energias alternativas, nomeadamente a solar e a eólica, acusou os políticos norte-americanos, incluindo o seu adversário directo, de terem fracassado, durante 30 anos, no combate à crise energética.
O democrata afirmou que o seu adversário republicano está no bolso das grandes companhias petrolíferas, considerando que estas «têm bloqueado o avanço para outras formas de energia».
Num discurso marcado por críticas directas e duras a John McCain, Barack Obama frisou que em Julho o republicano recebeu mais de um milhão de dólares de apoio à sua campanha da parte de petrolíferas.
Estas acusações foram proferidas na mesma altura que a campanha do democrata começou a transmitir um novo anúncio em canais de televisão com críticas à política energética do candidato republicano.
«Depois de um presidente no bolso das grandes companhias de petróleo, não nos podemos dar ao luxo de voltar a ter outro do género», defende o anúncio publicitário.
As acusações de Obama surgem numa altura em que o debate sobre a política energética do país se está a tornar num dos principais tópicos de discussão das presidências de Novembro.
O aumento dos custos de combustíveis está a levar os dois candidatos a apresentarem-se como capazes de iniciar uma política que liberte o país daquilo que Obama descreveu como o «vício do petróleo».
Por seu lado John McCain voltou, esta segunda-feira, a defender o aumento da exploração petrolífera dentro dos Estados Unidos, afirmando, numa alusão a Obama, que quem se opõem a isso não tem a experiência necessária para compreender os desafios que o país enfrenta.

Entretanto, ouvido pela TSF, o especialista em Economia Politica Caleia Rodrigues disse que a proposta de Obama de vender 70 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas do país ia «seguramente» ter efeitos no mercado.
No entanto, o especialista considerou a ideia lançada pelo democrata como uma «declaração política», lembrando que para levar a cabo essa venda seria primeiro necessário «alterar as regras da própria reserva» norte-americana.
Além disso, Caleia Rodrigues lembrou que ao reduzir essa reserva estratégica, o país estaria a «reduzir a sua quantidade de defesa».

TSF
5.Agosto.2008
00h05

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Preços baixos na gasolina (Diário Económico, 30.Julho.2008)

Petróleo voltou a baixar, mas até quando? OPEP prevê barril nos 80 dólares. Galp cortou preço da gasolina.

Facturas a subir, margens mais curtas, preços inflacionados e dificuldades nas contas. Nos últimos meses tem sido este o retrato de muitas indústrias nacionais, um cenário negro que ficou menos carregado nos últimos dias. Na terça-feira, a Galp baixou o preço da gasolina em quatro cêntimos e do gasóleo em três cêntimos, sendo a segunda redução no espaço de uma semana. Entretanto, a BP e Repsol também já baixaram, respondendo à queda do crude nos mercados internacionais.
Apesar das boas notícias, o futuro parece incerto Até quando vão cair os preços do barril? Até quando é que as gasolineiras vão corrigir os preços, depois das mais de vinte subidas desde Janeiro? “A tendência será para continuar a cair se o petróleo continuar a descer. Se continuar a baixar terá que haver reduções significativas” nos preços, garante Augusto Cymbron, ao Diário Económico. O presidente da Anarec lembrou as declarações do presidente da Venezuela, Hugo Chavez que disse, na semana passada, que o petróleo ficaria nos 100 dólares. Entretanto, ontem, 0 presidente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), Chakib Khelil, considerou hoje “anormais” os preços actuais e admitiu que possam recuar até aos 80 dólares, caso o dólar continue e valorizar-se e a situação política no Médio Oriente melhore.
Ainda sobre o petróleo, fonte oficial da Repsol disse ao Diário Económico que “tudo vai depender da oferta e da procura, dos movimentos geopolíticos que afectam directamente a matéria-prima”. Uma opinião partilhada pela BP Portugal que acrescenta a estes factores a variável financeira, associada à oscilação da cotação do dólar. Do lado das gasolineiras, a expectativa é grande. “Esta queda, se se mantiver, pode contribuir para uma retoma nos volumes”, diz fonte oficial da BP Portugal, marca que já reconheceu que a procura de combustível nas suas bombas tem estado a cair.
O governo também tem boas expectativas. O ministro da economia português, Manuel Pinho acredita que esta descida terá um impacto positivo na economia. E, acrescentou ontem em Paços de Ferreira que, “não há razão objectiva para que o petróleo tenha duplicado o seu preço em tão pouco tempo”.
Para o especialista em petróleo José Caleia Rodrigues, esta quebra verificada nas últimas semanas é resultado de algum efeito “sazonal” que normalmente se faz sentir a partir de Abril/Maio e se prolonga pelo Verão, período em que “ha uma quebra no consumo”, relacionada sobretudo com a paragem ou redução de actividade no sector da indústria. “Penso que no final de Setembro, Outubro os preços comecem novamente a subir, voltando para níveis de Fevereiro, Março”, afirmou Caleia Rodrigues.
Os recentes ajustes em baixo nos preços dos combustíveis têm tido menor impacto no petróleo. Um facto justificado tanto pela Galp Energia como pela Repsol pelos desequilíbrios que existem entre a oferta e a procura. “Na Europa existe excesso de gasolina o que leva a Europa a exportá-la; mas falta gasóleo”, afirmou fonte oficial da Repsol. “Face ao desequilíbrio entre oferta e procura de gasóleo que se tem vindo a sentir nos mercados internacionais, este produto tem tido tendência a aumentar mais do que a gasolina”, afirmou fonte oficial da Galp Energia, justificando deste modo a redução inferior no preço do gasóleo.

Galp à procura de petróleo na costa de Lisboa
A maior petrolífera portuguesa está a estudar a costa de Lisboa em busca de petróleo. A primeira fase de prospecção em busca do ouro negro passa por estudos geológicos, já concluídos ao largo da capital. “Em curso estão agora os estudos sísmicos, que correspondem a fazer uma ecografia ao subsolo”, explica Manuel Ferreira de Oliveira, presidente-executivo da Galp. Seguem-se depois estudos de pormenores, que permitem ter uma visão a três dimensões do subsolo para ver se há jazigas. No total, um estudo detalhado demora entre seis a oito anos. “Se dentro de três a quatro anos começarmos a perfurar o solo é porque há uma grande probabilidade de encontrarmos petróleo”, frisou o CEO. A Galp está também a estudar a bacia do Alentejo. A perfuração de um poço de petróleo custa entre 50 a 70 milhão de euros.

S&P aponta para preço do barril nos 130 dólares
Os preços dos futuros do petróleo deverão manter-se na casa dos 130 dólares, o que, estima a Standard & Poor’s (S&P), deverá continuar a dar suporte ao sector de exploração e produção de petróleo. Esta evolução tem contribuído para a “melhoria da qualidade do crédito e dos ‘ratings’ da indústria do gás e do petróleo, refere a casa de notação financeira, num nota divulgada ontem. Já as indústrias de refinação e comercialização “continuam a enfrentar difíceis condições de mercado, penalizadas pela confluência de elevados custos do petróleo e do gás natural, com quebra na procura de gasolina e de produtos residuais”, refere a S&P. Como tal, a casa de notação financeira, prevê que “os resultados dos primeiros seis meses deste de 2008 sejam bem inferiores aos registada no forte primeiro semestre de 2007”.

Diário Económico
Marta Reis e Sara Piteira Mota
Preço da gasolina 2008-07-30 00:05

terça-feira, 29 de julho de 2008

As descidas no preço ao consumidor dos combustíveis são, ainda que apenas em parte, reflexos da descida do petróleo nos mercados internacionais.
Depois de uma subida extraordinária, o preço da matéria-prima tem descido nas últimas semanas.
Uma descida que, segundo o especialista em mercados petrolíferos, José Caleia Rodrigues, acontece sazonalmente e a expectativa é que continue assim pelo menos até final do Verão.
O especialista salienta que “invariavelmente, sobe outra vez, na altura das compras e dos grandes consumos, a partir de Outubro, Novembro”.
O preço do petróleo nos mercados internacionais manteve-se, esta manhã, estável. Em Londres, o barril de Brent do Mar do Norte, que serve de referência à fixação dos preços em Portugal, estava a ser transaccionado um pouco acima dos 126 dólares, uma subida ligeira de 55 cêntimos por barril.

Rádio Renascença
Combustíveis
29-07-2008 11:1
AC

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Ferreira de Oliveira disse que não ia ter boas notícias no semestre e a Galp caiu 6,5% em bolsa.

Num dia positivo para a bolsa portuguesa, com os títulos da banca a subir, as acções da Galp Energia chegaram a cair 9,54% e a valer 10,90 euros, o valor mais baixo desde 8 de Novembro de 2007. A queda da maior petrolífera portuguesa acontece um dia depois do presidente executivo da empresa ter admitido que os resultados do segundo trimestre podem trazer más notícias aos accionistas. Ferreira de Oliveira disse terça-feira no Parlamento que não tinha “melhores notícias” do que aquelas que deu no primeiro trimestre. Nos primeiros três meses do ano, o lucro ajustado da empresa caiu 8,2% face ao período homólogo para os 109 milhões de euros.

“A Galp está a sofrer com a diminuição das margens de refinação devido à escalada do preço do barril de petróleo”, explica um analista do mercado. A desvalorização do dólar face ao euro e a indefinição da tributação que vai ser aplicada no campo de petróleo de Tupi, no Brasil, também poderão estar a levantar dúvidas entre os accionistas.
O ‘emagrecimento’ das margens das refinarias é um problema comum às várias petrolíferas europeias, a braços com a subida do preço do crude. Além disso, o consumo de combustíveis tem vindo a cair entre os 4% a 6% ao ano. Só no último ano, o consumo deverá ter caído 5%. Esta quebra na procura poderá estar também a contribuir para a diminuição das margens das
refinarias.

“As petrolíferas podem estar a esmagar as margens para incentivarem a procura. Ou seja, o aumento do preço do petróleo que compram não é acompanhado na mesma proporção pela subida do preço de venda de combustíveis”, explica José Caleia Rodrigues, especialista em questões energéticas.

A prestação da Galp Energia em bolsa também tem sido afectada pela nova taxa Robin dos Bosques, recentemente anunciada pelo Governo. A medida vai cair sobre o valor das reservas petrolíferas com base no preço mais antigo. Apesar de o CEO da maior petrolífera nacional garantir que vai ter de pagar entre 100 a 150 milhões de euros ao Estado, um estudo ontem divulgado pelo banco BPI aponta para uma tributação que pode custar entre 300 a 380 milhões à Galp. Fonte da empresa garantiu ao Diário Económico que as contas do BPI “não fazem sentido nenhum” e têm em conta uma “visão catastrofista” da realidade.
O presidente executivo da Galp Energia garantiu, contudo, que a aplicação desta taxa não irá prejudicar os resultados líquidos da empresa, até porque a medida “não foi uma surpresa” para a administração. “A política de distribuição de dividendos da Galp não é nada afectada por esta medida, uma vez que tem por base o custo de substituição dos barris”, esclareceu o presidente da petrolífera. Uma vez que os dividendos não têm em conta as reservas, os accionistas não são penalizados pela nova política fiscal.Galp teve a maior queda do PSI-20
A Galp Energia protagonizou ontem a maior queda percentual do PSI 20, ao cair 6,56% para 11,26 euros, prejudicada pela queda nos preços do petróleo e pela incerteza dos efeitos que a taxa Robin dos Bosques vai ter na empresa. O ‘emagrecimento’ das margens de refinação e a desvalorização do dólar face ao euro também deverão estar a prejudicar a prestação da empresa em bolsa.

Diário Económico
Previsões dos analistas 2008-07-17 00:05
Sofia Lobato Dias

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O campo brasileiro é o mais valioso do mundo.
A descoberta das maiores reservas de petróleo do mundo, em Tupi, no Brasil, revolucionou a indústria petrolífera a nível mundial. São entre cinco a oito mil milhões de barris de crude a mais de nove quilómetros de profundidade, ao largo da baía de Santos, no estado do Rio de Janeiro. Ao preço actual do barril, que ronda os 137 dólares, as reservas de Tupi valem entre 685 mil milhões de dólares e 1,1 bilião de dólares (435 mil milhões e 697 mil milhões de euros).
“O Brasil tem nas mãos o maior campo petrolífero do mundo e está agora a par, no panorama mundial, de superpotências como a Rússia e a Arábia Saudita”, explica José Caleia Rodrigues, especialista em questões energéticas.
As reservas milionárias de petróleo no Brasil estão a 250 quilómetros de distância da costa do estado do Rio de Janeiro. Debaixo do mar, os poços estão a nove quilómetros de profundidade e têm temperaturas que chegam aos 260 graus centígrados. É a difícil acessibilidade do campo petrolífero de Tupi que faz com a exploração dos poços seja tão cara.
Peter Wells, director da empresa de pesquisa norte-americana Nettex Petroleum Consultants, fez os cálculos e garante que os trabalhos na zona de Tupe custarão qualquer coisa como 155 mil milhões de euros, mais ou menos o valor do financiamento do programa espacial norte-americana pelos próximos catorze anos. A Galp, com uma participação de 10% no bloco BMS-11, um dos três da região de Tupi, terá investir qualquer coisa como 6,5 mil milhões de euros para fazer a extracção de petróleo.
A Petrobras, que lidera o grupo de empresas petrolíferas que vão explorar os campos de Tupi, vai avançar com testes mais profundos no campo brasileiro no terceiro trimestre de 2009. Um ano depois deverão ser extraídos os primeiros cem mil barris diários de petróleo e produzidos quatro milhões de metros cúbicos de gás natural.

Diário Económico
2008-07-10 00:05
Sofia Lobato Dias com A.B.

terça-feira, 8 de julho de 2008

José Caleia Rodrigues diz que os produtores de petróleo não têm margem de manobra para aumentar a produção

José Caleia Rodrigues alertou que os produtores de petróleo não «têm margem de manobra» para aumentar a produção, como solicitado pelo G8. Para o especialista, os líderes dos oito países deveriam ter sugerido a diminuição do consumo.

José Caleia Rodrigues, consultor e analista na área do petróleo, alertou, esta terça-feira, que «aparentemente» os produtores de petróleo não «têm margem de manobra» para aumentar a produção de petróleo, como solicitado pelos países do G8.
Em declarações à TSF, o especialista alertou que «qualquer aumento de extracção de petróleo corresponde a investimentos astronómicos», sendo que se o caminho for esse «todos teremos de pagar».
«O petróleo das grandes bolsas que estão a ser extraídas há mais de 50 anos estão com taxas de esgotamento enormes, daí que qualquer aumento de extracção corresponde a investimentos astronómicos», reforçou.
O analista adiantou que apenas a Rússia tem aumentado «um pouco» a produção, porque «parece que tem uma técnica que ainda não é utilizada por outros na extracção de grande profundidade (deep waters)(deep depth)».
José Caleia Rodrigues defendeu que o apelo dos países do G8 deveria ser sido para um «menor consumo» dos recursos petrolíferos.