segunda-feira, 12 de setembro de 2016

No passado recente os ambientalistas anunciavam incessantemente que o mundo iria rapidamente ser privado de petróleo. Isso não irá acontecer. A escassez anunciada nas reservas comprovadas de petróleo disponível no planeta permitiu-lhe assumir um poder funcional que lhe garantiu atributos de produto estratégico, de arma diplomática, de factor de poder e de produto financeiro, Porém, o petróleo perdeu a característica de produto escasso. Logo, perdeu valor. … Com o desenvolvimento da produção registado na Federação Russa desde o ano 2000, e da dos Estados Unidos desde o ano 2009, a OPEP (…) já não dispõe do poder que lhe permita continuar a chamar a si o papel de comandante e manobradora do mercado. Os Estados Unidos ou a Federação Russa, por si sós, também não conseguirão vir a dispor desse poder a médio prazo, Logo, esse vazio poderia e deveria ser preenchido por entidade supranacional que impusesse a desejável ordem no mercado mundial. In SaeR- Relatório Trimestral - Junho 2016

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Petróleo não estava tão barato há uma década É uma boa notícia para os bolsos dos automobilistas, mas o excesso de oferta pode dar origem a uma "bolha" perigosa. O preço do barril de petróleo atingiu esta segunda-feira mínimos de uma década. O “brent”, que serve de referência para o mercado europeu, chegou a ser comercializado a 36,5 dólares, valor próximo dos registados em 2004. O preço sofreu depois uma ligeira valorização para cerca de 37,90 dólares, ainda assim um valor inferior ao verificado no fecho do mercado na última sexta-feira. Em declarações à Renascença, José Caleia Rodrigues, especialista em geopolítica da energia, atribui esta baixa de preços ao excesso de oferta. “Os Estados Unidos, que eram o maior importador de petróleo, estão a caminhar para a auto-suficiência. Já libertaram mais de um milhão de barris diários de importações, de há dois anos para cá. Logo, o mercado está a ser sobreabastecido", diz. O especialista apresenta também uma razão politica: “Há uma pressão enorme sobre a Rússia que, com o petróleo a este valor, tem muita dificuldade em obter recursos para pagar todas aquelas modificações sociais e apoios que vinha a fazer. E isso é muito complicado.” A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decidiu recentemente aumentar a sua produção de 30 milhões para 31,5 milhões de barris por dia, o que tem ajudado a pressionar a baixa de preço. Na opinião de José Caleia Rodrigues, é perigoso o preço do petróleo manter a curva descendente, até porque os Estados Unidos estão a obter a matéria-prima a valores substancialmente superiores aos praticados pelo mercado. “Os Estados Unidos produzem entre os 50 e os 60 dólares o barril. Se o valor de mercado é de 30 e poucos estão a produzir a matéria-prima ao dobro do preço do mercado. Aí já é uma situação complexa. A outra é a Rússia não dispor de recursos para o seu programa social. Baixar mais do que isto já é perigoso. Já nos faz pensar que alguma coisa pode vir a acontecer. É uma bolha a evitar", diz Caleia Rodrigues. A manter-se a actual tendência de descida de preço do barril de petróleo, não é de excluir nova baixa no preço dos combustíveis no início da próxima semana. Esta segunda-feira, as principais gasolineiras baixaram o preço do litro do gasóleo cerca de três cêntimos. A gasolina desceu perto de 1,5 cêntimos. 14 dez, 2015 - 18:25 • Henrique Cunha

terça-feira, 3 de maio de 2016

Revolução do petróleo de xisto nos Estados Unidos prejudicou Angola André Cabrita-Mendes | andremendes@negocios.pt | 03 Maio 2016, 13:11 Os Estados Unidos passaram de importador a produtor de combustíveis fósseis, o que tem provocado o cancelamento e colocado em risco a viabilidade de projectos de exploração em países lusófonos. A revolução do petróleo e do gás de xisto nos Estados Unidos está a prejudicar a exploração do petróleo offshore (no mar) em Angola. Estas plataformas petrolíferas são dispendiosas e acarretam elevados custos, e num mundo com o barril de petróleo abaixo dos 70 dólares estes projectos estão sob pressão. Esta foi uma das conclusões da mesa redonda sobre petróleo e geopolítica que teve lugar durante o VI Congresso da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) nesta terça-feira, 3 de Maio, em Lisboa. "Hoje o petróleo angolano não e indispensável para os Estados Unidos", começou por apontar o especialista em geopolítica do petróleo, José Caleia Rodrigues. Durante muitos anos, o pais serviu como um "depósito de petróleo a funcionar durante 24 horas" e que rapidamente atravessava o Atlântico rumo aos Estados Unidos quando necessário, explicou. O crescimento na produção norte-americana e as consequentes mudanças nos mercados mundiais são sinais "muito preocupantes para angolanos, moçambicanos e brasileiros", disse Caleia Rodrigues, pois colocam em risco os projectos mais dispendiosos. O presidente da petrolífera Partex, por seu turno, também se debruçou sobre este país lusófono para concluir que "Angola cometeu um erro estratégico em apostar só no offshore". António Costa e Silva (na foto) começou por destacar que a revolução do petróleo e do gás de xisto mudou o custo marginal da produção que antes estava no offshore. "Hoje para respondermos à procura mundial não precisamos do offshore". Contudo, considera que estes projectos vão voltar a ser viáveis quando o preço do barril regressar aos 70-80 dólares. Deu o exemplo do projecto de Chissanga, cuja desenvolvimento foi adiado. Destacou que existe muito potencial no "onshore" (em terra) angolano, como nas bacias do Alto do Namibe, Cuando Cubango ou do Kwanza, mas que as autoridades deixaram passar oportunidades para explorá-los, ao não usarem métodos sísmicos avançados para analisar estas bacias. Defendeu assim que "Angola deve desenvolver uma estratégia", para ultrapassar a actual situação, isto num país em que 80% das receitas e mais de 90% das exportações dependem do petróleo. "Angola podia ter aproveitado o 'boom' do petróleo para diversificar a economia, o que não aconteceu, os esforços das autoridades foram poucos, e os diamantes representam apenas 2% do PIB", enumerou. Para terminar, destacou que Angola só tem reservas provadas de petróleo para 15 anos, o que é "muito pouco".

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Entrevista

Petróleo não estava tão barato há uma década É uma boa notícia para os bolsos dos automobilistas, mas o excesso de oferta pode dar origem a uma "bolha" perigosa. O preço do barril de petróleo atingiu esta segunda-feira mínimos de uma década. O “brent”, que serve de referência para o mercado europeu, chegou a ser comercializado a 36,5 dólares, valor próximo dos registados em 2004. O preço sofreu depois uma ligeira valorização para cerca de 37,90 dólares, ainda assim um valor inferior ao verificado no fecho do mercado na última sexta-feira. Em declarações à Renascença, José Caleia Rodrigues, especialista em geopolítica da energia, atribui esta baixa de preços ao excesso de oferta. “Os Estados Unidos, que eram o maior importador de petróleo, estão a caminhar para a auto-suficiência. Já libertaram mais de um milhão de barris diários de importações, de há dois anos para cá. Logo, o mercado está a ser sobreabastecido", diz. O especialista apresenta também uma razão politica: “Há uma pressão enorme sobre a Rússia que, com o petróleo a este valor, tem muita dificuldade em obter recursos para pagar todas aquelas modificações sociais e apoios que vinha a fazer. E isso é muito complicado.” A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decidiu recentemente aumentar a sua produção de 30 milhões para 31,5 milhões de barris por dia, o que tem ajudado a pressionar a baixa de preço. Na opinião de José Caleia Rodrigues, é perigoso o preço do petróleo manter a curva descendente, até porque os Estados Unidos estão a obter a matéria-prima a valores substancialmente superiores aos praticados pelo mercado. “Os Estados Unidos produzem entre os 50 e os 60 dólares o barril. Se o valor de mercado é de 30 e poucos estão a produzir a matéria-prima ao dobro do preço do mercado. Aí já é uma situação complexa. A outra é a Rússia não dispor de recursos para o seu programa social. Baixar mais do que isto já é perigoso. Já nos faz pensar que alguma coisa pode vir a acontecer. É uma bolha a evitar", diz Caleia Rodrigues. A manter-se a actual tendência de descida de preço do barril de petróleo, não é de excluir nova baixa no preço dos combustíveis no início da próxima semana. Esta segunda-feira, as principais gasolineiras baixaram o preço do litro do gasóleo cerca de três cêntimos. A gasolina desceu perto de 1,5 cêntimos. Rádio Renascença 14 Dez, 2015 - 18:25 • Henrique Cunha

domingo, 24 de janeiro de 2016

Entrevista

O domínio das tecnologias no sector produtivo petrolífero Por José Caleia Rodrigues, Geopolítico e Investigador. Dado que as novas disponibilidades tecnológicas poderão vir a ser aplicadas em muitas bolsas petrolíferas existentes em países ainda não exportadores ou de qualidade e localizações diferentes, abrirão, consequentemente, um campo de actividade e de novas oportunidades a empresas industriais, impensável algumas décadas atrás. Nesta nova ordem de oportunidades poderão colaborar directamente com as empresas estatais detentoras dos recursos ou com as empresas privadas concessionárias dos blocos petrolíferos. Ressalta, desta constatação, que a tecnologia constituirá a chave-mestra no desenvolvimento do sector petrolífero a médio e a longo prazos. Poderemos inferir que as novas explorações disponíveis para desenvolvimento encontram-se dependentes de tecnologias de difícil obtenção, em localizações de elevado risco político ou de difícil acesso. Como tivemos oportunidade de publicar a seu tempo: mais longe, mais fundo, mais caro. Contudo, a produção e a descoberta de campos petrolíferos que contêm imensas quantidades de novas qualidades apenas se encontrava à espera da capacidade de acesso aos novos conhecimentos tecnológicos que começavam a despontar. Quer se tratasse de recursos petrolíferos de origem biótica quer abiótica (não fóssil). Saliente-se que a sua descoberta terá aumentado cerca de 2,5 vezes desde o ano 1980 até ao 2010. Ressalve-se que esta crescente abundância de recursos à escala mundial, de improcedente dimensão, correrá o risco de promover de tal modo a produção que se torne muito superior ao consumo, arrastando consigo uma superprodução e uma eventual queda abrupta dos preços de mercado, não fora os elevados custos de exploração dos novos recursos. As previsões de consumo elaboradas pelas agências internacionais que se ocupam desta matéria indicam que ao atingir-se o final de mais um decénio poderão ter aumentado em cerca de 50 milhões de barris diários, um acréscimo equivalente a quase metade do consumo corrente que ronda os 93 milhões. Enquanto os opinion-makers, os decision-makers, os académicos e os mercados financeiros parece terem sido apanhados pela falácia do peak oil e pelo excessivo entusiasmo posto nas energias renováveis alternativas ao petróleo, os preços de mercado e os novos conhecimentos tecnológicos que permitirão extracções tão abundantes quanto se queiram, de novas origens “desconvencionalizadas” (como sejam o shale oil, o sand oil ou os ultrapesados), ou de jazidas localizadas a grandes profundidades (para além dos 7.000 metros), suportaram um desenvolvimento que poderá alterar, de forma radical, a abordagem que tem sido feita na área da energia e da geopolítica, colocando o domínio dos recursos petrolíferos e o seu inerente poder nas mãos dos detentores dos recursos tecnológicos e dos recursos financeiros que permitam pô-los em marcha. Logo, os Estados em que se encontrem localizados os recursos petrolíferos e que dispõem do poder de adjudicar concessões de explorações petrolíferas a seu livre arbítrio poderão vir a ficar reféns desse novo domínio e inerente poder que, no limite, até poderá discriminar quando e onde se irão realizar os empreendimentos. À nova tecnologia de detecção e de inventariação seguiu-se o desenvolvimento de outras aplicadas à exploração que revolucionou por completo a indústria petrolífera e ultrapassou, de forma definitiva, o receio de uma eventual crise de carência no mercado mundial. Torna-se claro que será nos novos desenvolvimentos tecnológicos que assentarão as grandes oportunidades de exploração, quer a montante quer a jusante da cadeia produtiva, pelo que se impõe o acesso aos recursos técnicos e aos equipamento de extracção e de sintetização, quando for caso disso, dos produtos obtidos das novas origens petrolíferas. O seu domínio colocará um novo factor de poder nas mãos dos seus detentores. Os Estados soberanos dos recursos terão que passar a aguardar pela capacidade técnica das empresas industriais que dominem a tecnologia requerida a quem poderão ser requisitados os seus serviços e a sua capacidade técnica.

Entrevista Antena 1 - 10.Out.2014

Desequilíbrios no mercado petrolífero vão baixar preços dos combustíveis, consideram especialistas O preço dos combustíveis em Portugal deverá baixar de forma considerável nas próximas semanas, fruto das baixas cotações de petróleo nos mercados internacionais, nomeadamente da Arábia Saudita e Irão, que negoceiam os preços mais baixos dos últimos anos. Um comportamento dos mercados que se deve em muito à emergência dos Estados Unidos como uma potência competitiva e da estagnação económica da União Europeia e China, que levou à redução drástica da procura. Na Arábia Saudita e no Irão, negoceiam-se nesta altura o valor do crude no nível mais baixo dos últimos seis anos. Os tradicionais fornecedores de petróleo enfrentam a Rússia, a América Latina e os Estados Unidos como potências emergentes no setor petrolífero. José Caleia Rodrigues, especialista em economia e política internacional, realça o papel dos norte-americanos, que "passam a ser autosuficientes" em matéria de petróleo e poderão vir a assumir-se como grandes exportadores. Os "grandes dependentes", esses, vão continuar a ser os países da Europa Ocidental. O secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas, António Comprido, acredita que o preço dos combustíveis em Portugal poderá baixar nas próximas semanas fruto dos desiquilíbrios entre a oferta e a procura do crude a nível mundial. Fonte: Antena 1 10.Outubro, 2014

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Entrevista

Petróleo dos EUA pode passar por Portugal José Caleia Rodrigues considera que o reforço da produção de petróleo nos Estados Unidos poderá vir a beneficiar Portugal quando aquele país se tornar auto-suficiente na matéria-prima. A Agência Internacional de Energia veio alertar o mundo, em 2016, para os perigos do excesso da oferta de petróleo nos preços. Mas já em 2015 José Caleia Rodrigues tinha alertado para uma “bolha perigosa” que se estava a formar e que está, considera, agora a atingir o globo. Em entrevista ao Económico, o especialista em geopolítica do petróleo explica que o reforço da produção dos EUA veio alterar a geografia do mundo porque ocorreu uma “reorientação da política energética”, que, no entanto, poderá beneficiar Portugal. Esta alteração, explica Caleia Rodrigues, fez com que a matéria-prima “deixasse de ser escassa e passasse a ser abundante, perdendo valor e fazendo cair o preço”. Portugal poderá beneficiar desta situação quando a maior economia do mundo se tornar auto-suficiente em petróleo, “lá para o final da década”, e começar depois a exportar os excedentes. “Não faz sentido que os EUA exportem para a China. O que faz sentido é que exportem para a Europa”, realça, reiterando o papel estratégico de Portugal em todo este processo. O país, assegura, “está muito bem colocado com portos de águas profundas”. No entanto, há um problema: “os oleodutos terminam em França e não há ligação de Portugal até França”. Por cá há quem fale nos benefícios dos preços mais baixos do petróleo pelo facto de Portugal ser um país importador e não produtor. Mas nem tudo são boas notícias. As empresas expostas ao sector energético, como é o caso da Petrogral, Partex e Galp, podem sofrer de forma directa e indirecta com a crise dos preços. “Todas sofrem e têm de procurar novos clientes. Têm de ver onde é que aplicaram os recursos e onde vão buscar os retornos. As coisas no Brasil não estão fáceis. Também há aplicações em Angola e, por isso, vão ter que assumir alguns riscos e algumas dificuldades.” Como exemplo, este analista usa a Galp Energia que perdeu “um dos poderosos accionistas que em 2014 começou a instalar, juntamente com a empresa estatal norueguesa no mar da Noruega, uma plataforma que implicou um investimento de seis mil milhões de dólares”. O tema da exploração da matéria-prima em território nacional não é inédito. Actualmente, estão a decorrer as fases de investigação e, este ano, o Governo pretende abrir novos concursos. Um sinal de que é preciso pensar, mesmo com preços do petróleo considerados muito baixos, se “nos vale a pena explorar petróleo nas nossas costas”. E é aqui que surgem as maiores dúvidas. Se, por um lado, José Caleia Rodrigues acredita que “a segurança energética é para países com poder, as duas guerras mundiais demonstraram isso”; por outro lado, “Portugal não tem grandes problemas de segurança nacional”. “Consumimos relativamente pouco e só vale a pena extrair se for rentável, se valer a pena economicamente. Não sei o que é que se pode explorar em Portugal e, por isso, é preciso ter algum cuidado”, sublinha. Uma alternativa poderia ser o chamado ‘shale oil’ (gás de xisto) que existe em território nacional e que tem sido a principal arma dos EUA na chamada reorganização energética. A questão é que em Portugal as reservas “são relativamente pobres”. Sobre o tema dos combustíveis, o especialista em geopolítica do petróleo garante que, neste caso, as contas são outras. “Não há uma resposta simples”, considera, porque “não estamos a falar da matéria-prima. Estamos a falar de produtos refinados que têm uma pequena parte da matéria-prima, têm a refinação e depois têm os impostos”. “É em função disto que temos de analisar muito bem os preços”, conclui. Em Portugal, o preço dos combustíveis é em boa parte explicado pelo peso dos impostos que, para Rodrigues, “se não se pagassem na gasolina iríamos pagá-los noutro sítio”. “Se as contas do país estivessem equilibradas, poderíamos beneficiar mais com a queda dos preços. O país beneficia com a compra de matéria-prima mais barata e sobretudo diversificando as origens do petróleo”, defende. O levantamento das sanções económicas e a reentrada do Irão no mercado pode contribuir para esta diversificação das fontes, sublinha. Económico – 22.Jan.2016 Hugo Bragança Monteiro http://economico.sapo.pt/noticias/petroleo-dos-eua-pode-passar-por-portugal_240404.html