terça-feira, 12 de setembro de 2017

A Indústria Petrolífera e o Negócio de Transporte Marítimo De acordo com as estatísticas da UNCTAD são anualmente transportados por via marítima 1,8 mil milhões de toneladas de petróleo bruto e 546 milhões de toneladas de produtos petrolíferos. O total de 2,3 mil milhões representa cerca de 35% de todo o comércio marítimo mundial. Se considerarmos o valor tonelada x milha o peso do petróleo e dos produtos petrolíferos ultrapassa os 40%. Noutra perspectiva, do total de petróleo bruto produzido anualmente (3,9 mil milhões de toneladas ) cerca de 60% é transportado por via marítima. Os restantes 40% são transportados predominantemente com recurso a oleodutos . Por último, refira-se que um número significativo de navios foi convertido para armazenamento de petróleo bruto em “offshore” e que as próprias plataformas de extracção são geridas por empresas da área do transporte marítimo. Do que atrás se referiu conclui-se que o sector de transportes marítimos tem na indústria petrolífera um dos seus principais clientes. A posição estratégica das empresas petrolíferas no mercado de transportes marítimos tem sofrido alterações profundas ao longo dos últimos 30 anos. Ao longo daquele período ocorreram situações em que as empresas petrolíferas controlavam frotas de navios, através da sua propriedade ou através do afretamento a tempo por períodos longos (cinco a dez anos), e situações opostas em que 60% ou mais da capacidade utilizada pelas empresas era contratada no mercado “spot” (afretamento á viagem). Essas reorientações estratégicas decorreram de três tipos de factores: situações de excesso de oferta de navios, flutuações bruscas na procura de transporte de petróleo bruto ou de produtos petrolíferos e mudança na atitude face às questões do ambiente (poluição marítima). Por exemplo, logo a seguir à ratificação do “Oil Polution Act de 1990” algumas das maiores empresas petrolíferas decidiram reduzir a sua propriedade directa de navios na tentativa de reduzir a sua exposição às responsabilidades que pudessem advir de futuros acidentes (caso Exxon Valdez, propriedade da petrolífera Exxon). Por outro lado, no caso Erika as autoridades francesas reagiram ordenando a prisão dos gestores da Total-Fina responsáveis pelo afretamento do navio o que veio tornar claro que a responsabilidade pode ser imputada não apenas as proprietário mas também ao afretador. Com a aceleração do “phasing-out” dos navios de casco simples, determinada pela International Maritime Organization em 2001, e a aceitação generalizada de que navios com idade elevada representam maiores perigos para o ambiente, deu-se uma discriminação desses navios que passaram a gozar de taxas de frete mais baixas do que os restantes. Perante esta situação os armadores detectaram a oportunidade de obter fretes “premium” e colocaram em estaleiros encomendas para novas construções. Em consequência, passou-se por uma fase de fragmentação do lado da oferta com maior concorrência no mercado e as empresa petrolíferas a apostarem no mercado “spot”. Nos últimos meses verificaram-se sinais evidentes de tentativas de controlar as taxas de frete de navios-tanque através da formação de “pools” de navios (frotas de diferentes armadores geridas de forma centralizada) e da concentração empresarial (fusões e aquisições) do lado dos armadores. A reacção das empresas petrolíferas tem sido a aposta num relacionamento com os armadores baseada em afretamentos a longo prazo por períodos de dez anos ou superiores. Alguns contratos de longo prazo são extremamente flexíveis permitindo à empresa petrolífera colocar o navio no mercado “spot” por períodos curtos com o benefício, isto é a diferença entre a taxa de frete de longo prazo e a taxa de frete “spot”, a ser dividido entre as duas partes (armador e empresa petrolífera). Outro aspecto importante é a possibilidade de fixação ou a indexação da taxa de frete de longo prazo o que constitui uma forma de “hedging” sem obrigar a soluções mais complexas como a intervenção no mercado de futuros. Os contratos de longo prazo são uma boa solução para o armador (garantia de estabilidade nas receitas e de recuperação do investimento) e para a empresa petrolífera (redução da exposição à volatilidade das taxas de frete). Embora continuem a existir empresas petrolíferas a apostar no negócio de transporte marítimo como fazendo parte do seu “core”, como é o caso da Shell e da BP, a tendência actual dessas empresas é a concentração nos negócios de extracção e de refinação que implicam elevados volumes de investimento e envolvem riscos financeiros elevados. Assim, para a generalidade das empresas petrolíferas a estratégia actual é obter uma combinação óptima entre afretamentos a tempo de longo prazo, afretamentos a tempo de curto prazo (seis meses a um ano) e contratação “spot”. A proporção de cada tipo de afretamento depende da política de compras de petróleo bruto, da existência ou não de origens dominantes e da capacidade negocial com os armadores. No entanto, existem no negócio de transporte de petróleo bruto e produtos petrolíferos vários segmentos e em cada um é possível encontrar comportamentos distintos da procura e oferta. J. Caleia Rodrigues no livro “Petróleo - Qual Crise? ” afirma: “Quando ouvimos falar de crise de petróleo deparamo-nos com um perigoso equívoco. Não parece que esta escassa e finita matéria-prima, ou mesmo o sector petrolífero, estejam a passar por uma crise que, por definição, é transitória. Nada se pode comparar com boicotes, choques petrolíferos ou consequências de pontuais situações políticas vividas no passado“. O crescente interesse de várias sociedades financeiras na Alemanha, na Holanda e no Reino Unido no apoio a projectos de investimento em navios-tanque vem de encontro àquela afirmação e traz boas perspectivas para este importante segmento do sector de transportes marítimos. Fernando Grilo In TR 43; Setembro 2006

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Reservas estratégicas de petróleo não estão em território nacional e isso cria insegurança As reservas estratégicas de petróleo são uma necessidade em qualquer país, revestindo-se de grande importância em situações de crise, como uma guerra, boicotes ou embargos por parte dos países exportadores, já que os "stocks" existentes garantem o abastecimento energético. Portugal detinha, no final do primeiro semestre de 2010, o equivalente a 88 dias de reservas de crude. Ou seja, se subitamente o nosso país deixasse de conseguir importar petróleo, durante 88 dias as nossas necessidades estariam asseguradas, de acordo com os dados mais recentes disponibilizados pela Agência Internacional de Energia (AIE). Estes 88 dias correspondem a cerca de três meses, que é a média estabelecida na Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e que é seguida pela Europa Ocidental. Até aqui, tudo normal. Mas há um problema... “O que se passa é que, fisicamente, as reservas não estão cá, não estão no nosso território. Nos Estados Unidos, por exemplo, essas reservas são manobradas pelo Presidente e estão lá fisicamente, perto do Golfo do México, em cavernas de sal a grandes profundidades. Os EUA têm 50 ou 60 depósitos desses, existe tudo fisicamente”, explicou ao Negócios o especialista em questões petrolíferas José Caleia Rodrigues. Por isso, adverte, não é a mesma coisa. “Acreditamos nos países amigos que as têm, mas não é a mesma coisa. Há alguma insegurança nisto, pois numa situação grave pode nem ser possível o transporte”. Carla Pedro - Negócios - 04 de fevereiro de 2011 às 00:01

Revolução do petróleo de xisto nos Estados Unidos prejudicou Angola Os Estados Unidos passaram de importador a produtor de combustíveis fósseis, o que tem provocado o cancelamento e colocado em risco a viabilidade de projectos de exploração em países lusófonos. A revolução do petróleo e do gás de xisto nos Estados Unidos está a prejudicar a exploração do petróleo offshore (no mar) em Angola. Estas plataformas petrolíferas são dispendiosas e acarretam elevados custos, e num mundo com o barril de petróleo abaixo dos 70 dólares estes projectos estão sob pressão. Esta foi uma das conclusões da mesa redonda sobre petróleo e geopolítica que teve lugar durante o VI Congresso da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) nesta terça-feira, 3 de Maio, em Lisboa. "Hoje o petróleo angolano não e indispensável para os Estados Unidos", começou por apontar o especialista em geopolítica do petróleo, José Caleia Rodrigues. Durante muitos anos, o pais serviu como um "depósito de petróleo a funcionar durante 24 horas" e que rapidamente atravessava o Atlântico rumo aos Estados Unidos quando necessário, explicou. O crescimento na produção norte-americana e as consequentes mudanças nos mercados mundiais são sinais "muito preocupantes para angolanos, moçambicanos e brasileiros", disse Caleia Rodrigues, pois colocam em risco os projectos mais dispendiosos. O presidente da petrolífera Partex, por seu turno, também se debruçou sobre este país lusófono para concluir que "Angola cometeu um erro estratégico em apostar só no offshore". António Costa e Silva (na foto) começou por destacar que a revolução do petróleo e do gás de xisto mudou o custo marginal da produção que antes estava no offshore. "Hoje para respondermos à procura mundial não precisamos do offshore". Contudo, considera que estes projectos vão voltar a ser viáveis quando o preço do barril regressar aos 70-80 dólares. Deu o exemplo do projecto de Chissanga, cuja desenvolvimento foi adiado. Destacou que existe muito potencial no "onshore" (em terra) angolano, como nas bacias do Alto do Namibe, Cuando Cubango ou do Kwanza, mas que as autoridades deixaram passar oportunidades para explorá-los, ao não usarem métodos sísmicos avançados para analisar estas bacias. Defendeu assim que "Angola deve desenvolver uma estratégia", para ultrapassar a actual situação, isto num país em que 80% das receitas e mais de 90% das exportações dependem do petróleo. "Angola podia ter aproveitado o 'boom' do petróleo para diversificar a economia, o que não aconteceu, os esforços das autoridades foram poucos, e os diamantes representam apenas 2% do PIB", enumerou. Para terminar, destacou que Angola só tem reservas provadas de petróleo para 15 anos, o que é "muito pouco". André Cabrita-Mendes Negócios - 03 de maio de 2016 às 13:11

domingo, 10 de setembro de 2017

Presidente da Partex: Papel tradicional da OPEP já "não funciona" Lusa03 Mai, 2016, 14:35 / atualizado em 03 Mai, 2016, 14:36 | Economia O presidente da Partex considerou hoje que o papel tradicional que a OPEP - Organização dos Países Exportadores de Petróleo tinha já "não funciona" e apontou o papel dos Estados Unidos nesta área. António Costa Silva falava numa mesa-redonda subordinada ao tema "Petróleo, geopolítica e consumidores", no VI Congresso da APED - Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, que decorre até quarta-feira em Lisboa sob o mote "Crescer com o consumidor". "O papel tradicional que a OPEP tinha hoje em dia não funciona", afirmou o presidente da Partex, apontando que os Estados Unidos assumiram o papel de grande produtor mundial de gás e petróleo. "E é isto que está a mudar a geopolítica do petróleo", acrescentou António Costa e Silva, que sublinhou que os Estados Unidos, enquanto "superpotência da energia", estão a "reconfigurar o sistema". Por outro lado, o presidente da Partex alertou para a atual situação dos países do Médio Oriente, nomeadamente da Arábia Saudita, que era considerado "o grande banco do petróleo". "Estamos a assistir à desintegração do Médio Oriente", salientou António Costa Silva, perante a atual situação económica, política e social daquela região do globo. Para Miguel Monjardino, especialista em relações internacionais, "todo o modelo de produção petrolífera saudita vai mudar". Por sua vez, José Caleia Rodrigues, perito em geopolítica do petróleo, salientou que os Estados Unidos "vão passar a ser concorrentes da Arábia Saudita e da Federação russa". O petróleo, disse, "deixou de ser um produto escasso, perdeu valor, continua a ser um produto estratégico, mas deixou de ser uma arma política", considerou Caleia Rodrigues. No caso de Angola, considerou que o seu petróleo já "não é considerado indispensável", já que há alternativas. Para o presidente da Partex, Angola "cometeu um erro estratégico em apostar no `offshore` [exploração petrolífera no mar]", em vez de equilibrar com o `onshore` [em terra], e apontou que o país não soube capitalizar a agricultura e os diamantes têm um peso pequeno na economia. Segundo Manuel Santos Vítor, advogado da PLMJ, a Europa, ao contrário dos Estados Unidos, não está apostada na exploração de gás e petróleo de xisto devido aos obstáculos a este desenvolvimento (incluindo ambientalistas). Em contrapartida, tem apostado nas energias alternativas. De acordo com o presidente da Entidade Nacional para o Mercado dos Combustíveis, que na próxima semana divulga o `ranking` do setor, "as vendas de gasóleo" em Portugal "têm aumentado ligeiramente e as da gasolina têm estagnado". Segundo Paulo Carmona, o mercado dos combustíveis em Portugal "está a funcionar relativamente bem" e "existe uma efetiva concorrência no mercado do retalho".

terça-feira, 11 de abril de 2017

A forte procura ou preocupações acerca da protecção de materiais raros poderá continuar a motivar os países ao desenvolvimento ou à segurança das suas próprias fontes de fornecimento, ultrapassando os mercados internacionais. Contudo, alterações políticas imprevisíveis ou retroactivas de protecção dos recursos poderão provocar um considerável arrefecimento quer nos investidores quer nos consumidores. Sublinhe-se que a desigual distribuição de recursos incluindo alimentares, água, energia e materiais críticos irá fazer-se sentir cada vez mais. A desigual disponibilidade de água e de alimentos, especialmente em países que sofram de escassez também provoca instabilidade e violência. Podemos sublinhar que a concorrência por alguns recursos poderá intensificar e exacerbar as tensões políticas e de segurança. ... As estimativas das várias agências especializadas nestas matérias indicam que populações sujeitas a falta de água variam entre os 450 e os 1.300 milhões de pessoas. Sem acções que mitiguem esta carência poderemos chegar ao ano 2045 – ou até mesmo antes - com 3.900 milhões de pessoas a sofrer de carência de água potável, ou seja, cerca de 40% da população mundial. ... Foi divulgado que estão decorrendo conflitos em cerca de 3.000 bacias de rios transnacionais e inter-regionais, com os pontos mais quentes localizados no Médio Oriente, onde as dificuldades criadas pela escassez de água têm sido agravadas pelos conflitos, guerra, ambiente e instabilidade política. ... Se os Estados Unidos mantiverem a taxa de aumento de produção poder-se-ão tornar no maior produtor de petróleo à escala mundial ao atingir o ano 2020 e a um grande exportador ao chegar o ano 2030 introduzindo, deste modo, uma profunda alteração no sector industrial energético. ... A redução de procura de petróleo pelos Estados Unidos no Médio Oriente associada à viragem deste para os mercados asiáticos poderá pôr em causa o seu envolvimento na defesa do Golfo Pérsico e das rotas de exportação do Médio Oriente que se poderá alterar significativamente. Contudo, os Estados Unidos poderão entender que outros países, incluindo a China ou a União Europeia, devam desempenhar um papel mais importante na segurança de abastecimentos do Médio Oriente. In SaeR, Relatório Trimestral - Março.2017

Não será nunca demais salientar que a vida na terra irá mudar substancialmente nos próximos 30 anos com evidentes impactos em toda a população que, muito provavelmente, irá atingir uma muito maior longevidade. As grandes alterações demográficas poderão gerar novas ameaças, se bem que igualmente novas e mais variadas oportunidades sobretudo em muitos países economicamente desenvolvidos e retracção em países ditos em vias de desenvolvimento. Não devemos esquecer o agravamento introduzido pela crescente quantidade de migrantes através de todo o globo a que cada vez estaremos mais ligados. Poderá prever-se a continuação da desigualdade entre géneros, pobreza e insegurança em grande parte do mundo. Poderá prever-se a continuação da desigualdade entre géneros, pobreza e insegurança em grande parte do mundo. Os Governos poderão ficar sujeitos a enormes pressões para enfrentar os novos desafios e, se as expectativas sociais não forem cumpridas, poderão surgir novos focos de violência, nomeadamente se atendermos a que nos próximos 30 anos 70% do aumento populacional deverá viver em áreas urbanizadas. ... Se os avanços nas tecnologias aplicadas ao sector energético forem insuficientes para assegurar as quantidades de electricidade requeridas para o desenvolvimento económico, os países poderão continuar a queimar hidrocarbonetos a taxas cada vez mais altas. Esta situação conduzirá inevitavelmente ao aumento dos níveis dos gases com efeitos de estufa, o que provocará longas ondas de calor em latitudes normalmente temperadas, além de frequentes falhas nas colheitas motivadas pela directa influência nos solos aráveis que, sujeitos ... Note-se que, em 1990, 154 milhões de pessoas viviam fora dos seus países de origem e actualmente já são 232 milhões. Apesar desses países tentarem limitar a saída dos seus cidadãos, os seus resultados são considerados residuais. ... Poderemos sublinhar que, em relação às questões relacionadas com defesa e segurança, as regiões com maiores populações jovens e governações débeis poderão sentir forte instabilidade que poderá conduzir a desintegração ou conflito. ... Ambientes degradados e ameaçados também poderão incitar a migração de comunidades afectadas criando eventuais potenciais desestabilizações. As forças armadas e de segurança, quer internamente quer no exterior, deverão ter que enfrentar tarefas mais frequentemente, assumindo um papel mais activo na assistência humanitária. Sem as indispensáveis medidas de mitigação, tais como captura e armazenamento do carbono, o continuado apoio no carvão e nos hidrocarbonetos na geração da maioria da procura de energia poderá exacerbar as alterações climáticas e os seus efeitos perniciosos. In SaeR, Relatório Trimestral - Dez.2016

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

No passado recente os ambientalistas anunciavam incessantemente que o mundo iria rapidamente ser privado de petróleo. Isso não irá acontecer. A escassez anunciada nas reservas comprovadas de petróleo disponível no planeta permitiu-lhe assumir um poder funcional que lhe garantiu atributos de produto estratégico, de arma diplomática, de factor de poder e de produto financeiro, Porém, o petróleo perdeu a característica de produto escasso. Logo, perdeu valor. … Com o desenvolvimento da produção registado na Federação Russa desde o ano 2000, e da dos Estados Unidos desde o ano 2009, a OPEP (…) já não dispõe do poder que lhe permita continuar a chamar a si o papel de comandante e manobradora do mercado. Os Estados Unidos ou a Federação Russa, por si sós, também não conseguirão vir a dispor desse poder a médio prazo, Logo, esse vazio poderia e deveria ser preenchido por entidade supranacional que impusesse a desejável ordem no mercado mundial. In SaeR- Relatório Trimestral - Junho 2016

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Petróleo não estava tão barato há uma década É uma boa notícia para os bolsos dos automobilistas, mas o excesso de oferta pode dar origem a uma "bolha" perigosa. O preço do barril de petróleo atingiu esta segunda-feira mínimos de uma década. O “brent”, que serve de referência para o mercado europeu, chegou a ser comercializado a 36,5 dólares, valor próximo dos registados em 2004. O preço sofreu depois uma ligeira valorização para cerca de 37,90 dólares, ainda assim um valor inferior ao verificado no fecho do mercado na última sexta-feira. Em declarações à Renascença, José Caleia Rodrigues, especialista em geopolítica da energia, atribui esta baixa de preços ao excesso de oferta. “Os Estados Unidos, que eram o maior importador de petróleo, estão a caminhar para a auto-suficiência. Já libertaram mais de um milhão de barris diários de importações, de há dois anos para cá. Logo, o mercado está a ser sobreabastecido", diz. O especialista apresenta também uma razão politica: “Há uma pressão enorme sobre a Rússia que, com o petróleo a este valor, tem muita dificuldade em obter recursos para pagar todas aquelas modificações sociais e apoios que vinha a fazer. E isso é muito complicado.” A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decidiu recentemente aumentar a sua produção de 30 milhões para 31,5 milhões de barris por dia, o que tem ajudado a pressionar a baixa de preço. Na opinião de José Caleia Rodrigues, é perigoso o preço do petróleo manter a curva descendente, até porque os Estados Unidos estão a obter a matéria-prima a valores substancialmente superiores aos praticados pelo mercado. “Os Estados Unidos produzem entre os 50 e os 60 dólares o barril. Se o valor de mercado é de 30 e poucos estão a produzir a matéria-prima ao dobro do preço do mercado. Aí já é uma situação complexa. A outra é a Rússia não dispor de recursos para o seu programa social. Baixar mais do que isto já é perigoso. Já nos faz pensar que alguma coisa pode vir a acontecer. É uma bolha a evitar", diz Caleia Rodrigues. A manter-se a actual tendência de descida de preço do barril de petróleo, não é de excluir nova baixa no preço dos combustíveis no início da próxima semana. Esta segunda-feira, as principais gasolineiras baixaram o preço do litro do gasóleo cerca de três cêntimos. A gasolina desceu perto de 1,5 cêntimos. 14 dez, 2015 - 18:25 • Henrique Cunha

terça-feira, 3 de maio de 2016

Revolução do petróleo de xisto nos Estados Unidos prejudicou Angola André Cabrita-Mendes | andremendes@negocios.pt | 03 Maio 2016, 13:11 Os Estados Unidos passaram de importador a produtor de combustíveis fósseis, o que tem provocado o cancelamento e colocado em risco a viabilidade de projectos de exploração em países lusófonos. A revolução do petróleo e do gás de xisto nos Estados Unidos está a prejudicar a exploração do petróleo offshore (no mar) em Angola. Estas plataformas petrolíferas são dispendiosas e acarretam elevados custos, e num mundo com o barril de petróleo abaixo dos 70 dólares estes projectos estão sob pressão. Esta foi uma das conclusões da mesa redonda sobre petróleo e geopolítica que teve lugar durante o VI Congresso da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) nesta terça-feira, 3 de Maio, em Lisboa. "Hoje o petróleo angolano não e indispensável para os Estados Unidos", começou por apontar o especialista em geopolítica do petróleo, José Caleia Rodrigues. Durante muitos anos, o pais serviu como um "depósito de petróleo a funcionar durante 24 horas" e que rapidamente atravessava o Atlântico rumo aos Estados Unidos quando necessário, explicou. O crescimento na produção norte-americana e as consequentes mudanças nos mercados mundiais são sinais "muito preocupantes para angolanos, moçambicanos e brasileiros", disse Caleia Rodrigues, pois colocam em risco os projectos mais dispendiosos. O presidente da petrolífera Partex, por seu turno, também se debruçou sobre este país lusófono para concluir que "Angola cometeu um erro estratégico em apostar só no offshore". António Costa e Silva (na foto) começou por destacar que a revolução do petróleo e do gás de xisto mudou o custo marginal da produção que antes estava no offshore. "Hoje para respondermos à procura mundial não precisamos do offshore". Contudo, considera que estes projectos vão voltar a ser viáveis quando o preço do barril regressar aos 70-80 dólares. Deu o exemplo do projecto de Chissanga, cuja desenvolvimento foi adiado. Destacou que existe muito potencial no "onshore" (em terra) angolano, como nas bacias do Alto do Namibe, Cuando Cubango ou do Kwanza, mas que as autoridades deixaram passar oportunidades para explorá-los, ao não usarem métodos sísmicos avançados para analisar estas bacias. Defendeu assim que "Angola deve desenvolver uma estratégia", para ultrapassar a actual situação, isto num país em que 80% das receitas e mais de 90% das exportações dependem do petróleo. "Angola podia ter aproveitado o 'boom' do petróleo para diversificar a economia, o que não aconteceu, os esforços das autoridades foram poucos, e os diamantes representam apenas 2% do PIB", enumerou. Para terminar, destacou que Angola só tem reservas provadas de petróleo para 15 anos, o que é "muito pouco".

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Entrevista

Petróleo não estava tão barato há uma década É uma boa notícia para os bolsos dos automobilistas, mas o excesso de oferta pode dar origem a uma "bolha" perigosa. O preço do barril de petróleo atingiu esta segunda-feira mínimos de uma década. O “brent”, que serve de referência para o mercado europeu, chegou a ser comercializado a 36,5 dólares, valor próximo dos registados em 2004. O preço sofreu depois uma ligeira valorização para cerca de 37,90 dólares, ainda assim um valor inferior ao verificado no fecho do mercado na última sexta-feira. Em declarações à Renascença, José Caleia Rodrigues, especialista em geopolítica da energia, atribui esta baixa de preços ao excesso de oferta. “Os Estados Unidos, que eram o maior importador de petróleo, estão a caminhar para a auto-suficiência. Já libertaram mais de um milhão de barris diários de importações, de há dois anos para cá. Logo, o mercado está a ser sobreabastecido", diz. O especialista apresenta também uma razão politica: “Há uma pressão enorme sobre a Rússia que, com o petróleo a este valor, tem muita dificuldade em obter recursos para pagar todas aquelas modificações sociais e apoios que vinha a fazer. E isso é muito complicado.” A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decidiu recentemente aumentar a sua produção de 30 milhões para 31,5 milhões de barris por dia, o que tem ajudado a pressionar a baixa de preço. Na opinião de José Caleia Rodrigues, é perigoso o preço do petróleo manter a curva descendente, até porque os Estados Unidos estão a obter a matéria-prima a valores substancialmente superiores aos praticados pelo mercado. “Os Estados Unidos produzem entre os 50 e os 60 dólares o barril. Se o valor de mercado é de 30 e poucos estão a produzir a matéria-prima ao dobro do preço do mercado. Aí já é uma situação complexa. A outra é a Rússia não dispor de recursos para o seu programa social. Baixar mais do que isto já é perigoso. Já nos faz pensar que alguma coisa pode vir a acontecer. É uma bolha a evitar", diz Caleia Rodrigues. A manter-se a actual tendência de descida de preço do barril de petróleo, não é de excluir nova baixa no preço dos combustíveis no início da próxima semana. Esta segunda-feira, as principais gasolineiras baixaram o preço do litro do gasóleo cerca de três cêntimos. A gasolina desceu perto de 1,5 cêntimos. Rádio Renascença 14 Dez, 2015 - 18:25 • Henrique Cunha

domingo, 24 de janeiro de 2016

Entrevista

O domínio das tecnologias no sector produtivo petrolífero Por José Caleia Rodrigues, Geopolítico e Investigador. Dado que as novas disponibilidades tecnológicas poderão vir a ser aplicadas em muitas bolsas petrolíferas existentes em países ainda não exportadores ou de qualidade e localizações diferentes, abrirão, consequentemente, um campo de actividade e de novas oportunidades a empresas industriais, impensável algumas décadas atrás. Nesta nova ordem de oportunidades poderão colaborar directamente com as empresas estatais detentoras dos recursos ou com as empresas privadas concessionárias dos blocos petrolíferos. Ressalta, desta constatação, que a tecnologia constituirá a chave-mestra no desenvolvimento do sector petrolífero a médio e a longo prazos. Poderemos inferir que as novas explorações disponíveis para desenvolvimento encontram-se dependentes de tecnologias de difícil obtenção, em localizações de elevado risco político ou de difícil acesso. Como tivemos oportunidade de publicar a seu tempo: mais longe, mais fundo, mais caro. Contudo, a produção e a descoberta de campos petrolíferos que contêm imensas quantidades de novas qualidades apenas se encontrava à espera da capacidade de acesso aos novos conhecimentos tecnológicos que começavam a despontar. Quer se tratasse de recursos petrolíferos de origem biótica quer abiótica (não fóssil). Saliente-se que a sua descoberta terá aumentado cerca de 2,5 vezes desde o ano 1980 até ao 2010. Ressalve-se que esta crescente abundância de recursos à escala mundial, de improcedente dimensão, correrá o risco de promover de tal modo a produção que se torne muito superior ao consumo, arrastando consigo uma superprodução e uma eventual queda abrupta dos preços de mercado, não fora os elevados custos de exploração dos novos recursos. As previsões de consumo elaboradas pelas agências internacionais que se ocupam desta matéria indicam que ao atingir-se o final de mais um decénio poderão ter aumentado em cerca de 50 milhões de barris diários, um acréscimo equivalente a quase metade do consumo corrente que ronda os 93 milhões. Enquanto os opinion-makers, os decision-makers, os académicos e os mercados financeiros parece terem sido apanhados pela falácia do peak oil e pelo excessivo entusiasmo posto nas energias renováveis alternativas ao petróleo, os preços de mercado e os novos conhecimentos tecnológicos que permitirão extracções tão abundantes quanto se queiram, de novas origens “desconvencionalizadas” (como sejam o shale oil, o sand oil ou os ultrapesados), ou de jazidas localizadas a grandes profundidades (para além dos 7.000 metros), suportaram um desenvolvimento que poderá alterar, de forma radical, a abordagem que tem sido feita na área da energia e da geopolítica, colocando o domínio dos recursos petrolíferos e o seu inerente poder nas mãos dos detentores dos recursos tecnológicos e dos recursos financeiros que permitam pô-los em marcha. Logo, os Estados em que se encontrem localizados os recursos petrolíferos e que dispõem do poder de adjudicar concessões de explorações petrolíferas a seu livre arbítrio poderão vir a ficar reféns desse novo domínio e inerente poder que, no limite, até poderá discriminar quando e onde se irão realizar os empreendimentos. À nova tecnologia de detecção e de inventariação seguiu-se o desenvolvimento de outras aplicadas à exploração que revolucionou por completo a indústria petrolífera e ultrapassou, de forma definitiva, o receio de uma eventual crise de carência no mercado mundial. Torna-se claro que será nos novos desenvolvimentos tecnológicos que assentarão as grandes oportunidades de exploração, quer a montante quer a jusante da cadeia produtiva, pelo que se impõe o acesso aos recursos técnicos e aos equipamento de extracção e de sintetização, quando for caso disso, dos produtos obtidos das novas origens petrolíferas. O seu domínio colocará um novo factor de poder nas mãos dos seus detentores. Os Estados soberanos dos recursos terão que passar a aguardar pela capacidade técnica das empresas industriais que dominem a tecnologia requerida a quem poderão ser requisitados os seus serviços e a sua capacidade técnica.

Entrevista Antena 1 - 10.Out.2014

Desequilíbrios no mercado petrolífero vão baixar preços dos combustíveis, consideram especialistas O preço dos combustíveis em Portugal deverá baixar de forma considerável nas próximas semanas, fruto das baixas cotações de petróleo nos mercados internacionais, nomeadamente da Arábia Saudita e Irão, que negoceiam os preços mais baixos dos últimos anos. Um comportamento dos mercados que se deve em muito à emergência dos Estados Unidos como uma potência competitiva e da estagnação económica da União Europeia e China, que levou à redução drástica da procura. Na Arábia Saudita e no Irão, negoceiam-se nesta altura o valor do crude no nível mais baixo dos últimos seis anos. Os tradicionais fornecedores de petróleo enfrentam a Rússia, a América Latina e os Estados Unidos como potências emergentes no setor petrolífero. José Caleia Rodrigues, especialista em economia e política internacional, realça o papel dos norte-americanos, que "passam a ser autosuficientes" em matéria de petróleo e poderão vir a assumir-se como grandes exportadores. Os "grandes dependentes", esses, vão continuar a ser os países da Europa Ocidental. O secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas, António Comprido, acredita que o preço dos combustíveis em Portugal poderá baixar nas próximas semanas fruto dos desiquilíbrios entre a oferta e a procura do crude a nível mundial. Fonte: Antena 1 10.Outubro, 2014

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Entrevista

Petróleo dos EUA pode passar por Portugal José Caleia Rodrigues considera que o reforço da produção de petróleo nos Estados Unidos poderá vir a beneficiar Portugal quando aquele país se tornar auto-suficiente na matéria-prima. A Agência Internacional de Energia veio alertar o mundo, em 2016, para os perigos do excesso da oferta de petróleo nos preços. Mas já em 2015 José Caleia Rodrigues tinha alertado para uma “bolha perigosa” que se estava a formar e que está, considera, agora a atingir o globo. Em entrevista ao Económico, o especialista em geopolítica do petróleo explica que o reforço da produção dos EUA veio alterar a geografia do mundo porque ocorreu uma “reorientação da política energética”, que, no entanto, poderá beneficiar Portugal. Esta alteração, explica Caleia Rodrigues, fez com que a matéria-prima “deixasse de ser escassa e passasse a ser abundante, perdendo valor e fazendo cair o preço”. Portugal poderá beneficiar desta situação quando a maior economia do mundo se tornar auto-suficiente em petróleo, “lá para o final da década”, e começar depois a exportar os excedentes. “Não faz sentido que os EUA exportem para a China. O que faz sentido é que exportem para a Europa”, realça, reiterando o papel estratégico de Portugal em todo este processo. O país, assegura, “está muito bem colocado com portos de águas profundas”. No entanto, há um problema: “os oleodutos terminam em França e não há ligação de Portugal até França”. Por cá há quem fale nos benefícios dos preços mais baixos do petróleo pelo facto de Portugal ser um país importador e não produtor. Mas nem tudo são boas notícias. As empresas expostas ao sector energético, como é o caso da Petrogral, Partex e Galp, podem sofrer de forma directa e indirecta com a crise dos preços. “Todas sofrem e têm de procurar novos clientes. Têm de ver onde é que aplicaram os recursos e onde vão buscar os retornos. As coisas no Brasil não estão fáceis. Também há aplicações em Angola e, por isso, vão ter que assumir alguns riscos e algumas dificuldades.” Como exemplo, este analista usa a Galp Energia que perdeu “um dos poderosos accionistas que em 2014 começou a instalar, juntamente com a empresa estatal norueguesa no mar da Noruega, uma plataforma que implicou um investimento de seis mil milhões de dólares”. O tema da exploração da matéria-prima em território nacional não é inédito. Actualmente, estão a decorrer as fases de investigação e, este ano, o Governo pretende abrir novos concursos. Um sinal de que é preciso pensar, mesmo com preços do petróleo considerados muito baixos, se “nos vale a pena explorar petróleo nas nossas costas”. E é aqui que surgem as maiores dúvidas. Se, por um lado, José Caleia Rodrigues acredita que “a segurança energética é para países com poder, as duas guerras mundiais demonstraram isso”; por outro lado, “Portugal não tem grandes problemas de segurança nacional”. “Consumimos relativamente pouco e só vale a pena extrair se for rentável, se valer a pena economicamente. Não sei o que é que se pode explorar em Portugal e, por isso, é preciso ter algum cuidado”, sublinha. Uma alternativa poderia ser o chamado ‘shale oil’ (gás de xisto) que existe em território nacional e que tem sido a principal arma dos EUA na chamada reorganização energética. A questão é que em Portugal as reservas “são relativamente pobres”. Sobre o tema dos combustíveis, o especialista em geopolítica do petróleo garante que, neste caso, as contas são outras. “Não há uma resposta simples”, considera, porque “não estamos a falar da matéria-prima. Estamos a falar de produtos refinados que têm uma pequena parte da matéria-prima, têm a refinação e depois têm os impostos”. “É em função disto que temos de analisar muito bem os preços”, conclui. Em Portugal, o preço dos combustíveis é em boa parte explicado pelo peso dos impostos que, para Rodrigues, “se não se pagassem na gasolina iríamos pagá-los noutro sítio”. “Se as contas do país estivessem equilibradas, poderíamos beneficiar mais com a queda dos preços. O país beneficia com a compra de matéria-prima mais barata e sobretudo diversificando as origens do petróleo”, defende. O levantamento das sanções económicas e a reentrada do Irão no mercado pode contribuir para esta diversificação das fontes, sublinha. Económico – 22.Jan.2016 Hugo Bragança Monteiro http://economico.sapo.pt/noticias/petroleo-dos-eua-pode-passar-por-portugal_240404.html

Entrevista

“A OPEP já não tem razão de existir” A queda forte dos preços do petróleo este ano levantou muitas questões sobre a actuação da OPEP no controle desta desvalorização. Como é que chegámos a estes preços do petróleo? Quando o petróleo passou a ser abundante perdeu valor e o preço acompanhou essa perda de valor. O excesso de petróleo deve-se à reorientação da política energética dos EUA, com a entrada de Barack Obama. Quando Obama chegou ao poder, a produção dos EUA só correspondia a um terço do consumo e o país estava a importar cerca de mil milhões de dólares por dia só em petróleo. Obama tinha em mente a questão da dependência externa e as necessidades de importação e decidiu abrir a exploração em novas regiões do território norte-americano, nomeadamente no Ártico, na plataforma continental atlântica, no golfo do México e, internamente, com o chamado ‘shale oil’. Em quatro ou cinco anos, a produção passou a satisfazer metade das necessidades do país. No fim desta década, os EUA serão auto-suficientes em petróleo. Como consequência, o mercado passou a dispor de quantidades enormes que até então eram importadas pelos EUA. Também entraram novos ‘players’ no mercado? Sim e acabou-se com aquela falácia do pico do petróleo, em que se dizia que a matéria-prima estava a esgotar-se. Mesmo com essa declaração, que foi de uma empresa petrolífera e que influenciou muito o mercado, o consumo e a produção foram aumentando sempre. No ano passado referiu que com uma oferta superior à procura estávamos a entrar numa “bolha perigosa”. Já entrámos? Acabou a Guerra Fria mas o antagonismo EUA/Rússia mantem-se. Estamos a passar já por essa bolha. Há problemas geopolíticos de uma certa gravidade, o sistema financeiro está a passar um bocado mal com isso. Mas as consequências financeiras são enormes porque financiaram-se projectos a pensar que o petróleo poderia andar pelos 100 dólares, mas quando chega aos 20 dólares quem aplica capitais diz: “Parou!” Consequência: estão a ser suspensos imensos projectos. Há danos colaterais que não atingem só a Rússia, como é pretendido pelos EUA e pela Arábia Saudita, atingindo países que não têm nada a ver com isso e que se vão ver numa situação muito complicada. Que países? Os que não têm tecnologia e recursos financeiros próprios, como Angola, Brasil, Venezuela e até a Nigéria. Estes quatro países, pelo menos, avançaram com programas de financiamento externo e sem tecnologia, e estão numa situação muito difícil. Hoje não se pensa: “A quem é que vou arranjar petróleo”; mas sim: “A quem vou vender o petróleo que vou extrair?”. Muitos destes investimentos suspensos representam perdas para as empresas envolvidas? Já perderam o que aplicaram. Isto ainda não acabou. A pressão dos EUA e da Arábia Saudita sobre a Rússia não abrandou. Não sabemos o que é que isto vai dar porque a Rússia, e não só, precisava destes recursos para o programa social que estava a implementar. A extracção na Rússia é cara porque é em profundidade. Custa entre 50 e 60 dólares. Há uma guerra económica dentro da OPEP? A OPEP já não tem razão de existir, já não pode exercer pressão sobre o mercado. Qualquer pressão que tente não tem quaisquer resultados. Se pararem a produção, ou se fizerem outro embargo, como em 1973, os países estão todos garantidos. Os EUA hoje já se governam bem. Há os excedentes do Canadá que continuam a ser enviados para os EUA e do México também. E temos de começar a pensar numa nova realidade. É que os EUA vão começar a ser exportadores de petróleo. No fim desta década devem atingir a auto-suficiência e depois começam a exportar. E para onde é que vão exportar? Suponho que nós devíamos assumir essa situação. Não faz sentido que os EUA exportem para a China., faz sentido que exporte para a Europa. O continente europeu está a ser abastecido, quase a meio por meio, pela Rússia e Noruega. O que é natural é que se os EUA continuarem a querer fazer pressão sobre a Rússia vão ter na Europa o seu cliente natural. Voltando atrás, a OPEP vai ter de tomar uma posição para tentar estancar a queda dos preços? Há a questão da entrada do Irão. Foram levantadas as sanções ao país e quando começar a entrar com o seu produto no mercado, aí os preços podem cair. Os custos de exploração lá são tão baratos como na Arábia Saudita porque também é superficial. Tem das maiores reservas do mundo e tem feito um esforço extraordinário para ser uma alternativa à Rússia na Europa. E traz benefícios a países como Portugal porque traz mais diversificação de fontes. Até onde é que vai cair o preço do petróleo? Eu tenho vindo a dizer que o valor do petróleo não pode baixar dos 15-20 dólares. Sabemos que o valor actual do petróleo no Ocidente anda entre os 50-70 dólares. Mas não pode cair até aos níveis anteriores, porque aí começa a entrar no território dos sauditas e aí as coisas já começam a ser mais difíceis. Económico - 22.Jan.2016 Hugo Bragança Monteiro http://economico.sapo.pt/noticias/a-opep-ja-nao-tem-razao-de-existir_240405.html

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

"Se não houver investimento em novas capacidades, petróleo terá preços exorbitantes" Carla Pedro | cpedro@negocios.pt | 10 Dezembro 2008, 16:10 Caleia Rodrigues é especialista em questões petrolíferas e já publicou vários livros sobre o tema. Em entrevista telefónica ao Negócios, salienta que as actuais cotações do petróleo congelaram o investimento em novas capacidades de produção, o que levará a uma escassez no mercado e à consequente subida dos preços para níveis exorbitantes. José Caleia Rodrigues é especialista em questões petrolíferas e já publicou vários livros sobre este tema, que acompanha também no seu blog. Em entrevista telefónica ao Negócios, salienta que as actuais cotações do petróleo congelaram o investimento em novas capacidades de produção, o que levará a uma escassez no mercado e à consequente subida dos preços para níveis exorbitantes. Por que está o petróleo tão barato? Os preços do petróleo estão a descer pelas más razões: uma diminuição da procura, em consequência da redução da actividade económica. As boas razões seriam que a procura diminuísse por vontade dos consumidores ou pelo aumento da eficiência energética. E que pode acontecer, com os actuais preços? Este abanão no sector petrolífero é grave, já que paralisou todo o investimento. Há quatro anos que os grandes extractores mundiais vêm a reduzir a entrega de petróleo ao mercado. Isso é grave. Um dos grandes produtores clássicos, a Arábia Saudita, tem o maior poço de petróleo do mundo agora com taxas de esgotamento enormes. Há um programa de investimento para lançar 300 novos poços numa bacia mais pequena, mas está suspenso, à espera de oportunidade para ser relançado. A Arábia Saudita não tem hoje capacidade de aumentar nem de manter a sua produção. Que nível de preços seria desejável? A OPEP fala em 70-80 dólares... O nível entre os 60 e os 70 dólares é o mínimo para que um projecto de exploração seja rentável. Ou seja, será preciso que o crude volte a esses níveis para se relançar o investimento, congelado já há muito tempo. E, mesmo assim, nada garante que um gestor considere encorajador incentivar accionistas a investirem em projectos de exploração petrolífera se os preços estiverem entre os 60 e os 70 dólares, já que se trata de uma área muito arriscada. É que quem investe, sabe que demorará 10 a 12 anos até que uma nova exploração atinja a velocidade de cruzeiro e nunca se sabe a que preço vai poder vender, nem que quantidade exacta de bom produto é que vai obter. E se não houver investimento no futuro próximo? Aos preços actuais, o investimento parou. E é de salientar que a década de 90 já tinha congelado o investimento, pois foi um período que esteve a rentabilizar o investimento que tinha sido feito. Depois, esse investimento recuperou um pouco em 2000, mas voltou a cair. Por isso, há muito tempo que não há investimento. E se as coisas se mantiverem neste pé, irá haver uma forte escassez de petróleo no mercado e a que os preços atinjam níveis exorbitantes. O que levará a dois cenários: quem puder pagar, pagará a qualquer preço; quem não puder pagar, terá graves situações sociais e de segurança interna. Isto é um drama. O produto vai escassear. Está previsto que entre 2010 e 2012 haja uma escassez do produto no mercado se não houver novas descobertas e investimento. A Agência Internacional da Energia diz que é preciso investir 150 mil milhões de dólares por ano em novas explorações. Quando o “pipeline” russo para a China estiver a funcionar, no Outono de 2009, a coisa ainda vai ficar mais feia. Nessa altura, irá ser canalizado mais um milhão de barris por dia para a China. Alguém vai ter que pagar. Alguém vai ter menos petróleo. Se a China vai ter mais um milhão de barris, alguém terá que ter menos esse milhão e será alguém que não o possa pagar. E quanto ao desenvolvimento de energias renováveis? As energias alternativas não resolvem o problema, não põem o mundo a funcionar. Só o que puder ser movido a electricidade é que vai beneficiar delas. Será nos transportes de longo curso que vai haver um maior consumo de combustíveis fósseis. Os barcos não vão andar todos a energia nuclear e os aviões não vão andar como a passarola de Bartolomeu de Gusmão. A energia eléctrica, por exemplo, é viável para os transportes de vaivém diário entre as cidades e as periferias. Mas não para os transportes de longo curso e estes são indispensáveis para manter a globalização. Vão ser precisos mais combustíveis fósseis, a menos que se acabem os transportes internacionais e as trocas comerciais.

terça-feira, 3 de março de 2015

O preço dos combustíveis em Portugal deverá baixar de forma considerável nas próximas semanas, fruto das baixas cotações de petróleo nos mercados internacionais, nomeadamente da Arábia Saudita e Irão, que negoceiam os preços mais baixos dos últimos anos. Um comportamento dos mercados que se deve em muito à emergência dos Estados Unidos como uma potência competitiva e da estagnação económica da União Europeia e China, que levou à redução drástica da procura. Na Arábia Saudita e no Irão, negoceiam-se nesta altura o valor do crude no nível mais baixo dos últimos seis anos. Os tradicionais fornecedores de petróleo enfrentam a Rússia, a América Latina e os Estados Unidos como potências emergentes no setor petrolífero. José Caleia Rodrigues, especialista em economia e política internacional, realça o papel dos norte-americanos, que "passam a ser autosuficientes" em matéria de petróleo e poderão vir a assumir-se como grandes exportadores. Os "grandes dependentes", esses, vão continuar a ser os países da Europa Ocidental. O secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas, António Comprido, acredita que o preço dos combustíveis em Portugal poderá baixar nas próximas semanas fruto dos desiquilíbrios entre a oferta e a procura do crude a nível mundial. Fonte: Antena 1 10.Outubro, 2014

O preço dos combustíveis em Portugal deverá baixar de forma considerável nas próximas semanas, fruto das baixas cotações de petróleo nos mercados internacionais, nomeadamente da Arábia Saudita e Irão, que negoceiam os preços mais baixos dos últimos anos. Um comportamento dos mercados que se deve em muito à emergência dos Estados Unidos como uma potência competitiva e da estagnação económica da União Europeia e China, que levou à redução drástica da procura. Na Arábia Saudita e no Irão, negoceiam-se nesta altura o valor do crude no nível mais baixo dos últimos seis anos. Os tradicionais fornecedores de petróleo enfrentam a Rússia, a América Latina e os Estados Unidos como potências emergentes no setor petrolífero. José Caleia Rodrigues, especialista em economia e política internacional, realça o papel dos norte-americanos, que "passam a ser autosuficientes" em matéria de petróleo e poderão vir a assumir-se como grandes exportadores. Os "grandes dependentes", esses, vão continuar a ser os países da Europa Ocidental. O secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas, António Comprido, acredita que o preço dos combustíveis em Portugal poderá baixar nas próximas semanas fruto dos desiquilíbrios entre a oferta e a procura do crude a nível mundial. Fonte: Antena 1 10.Outubro, 2014

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A estimativa geralmente aceite é a de que poderá jazer sob a calote árctica um quarto das reservas de petróleo e de gás natural disponíveis no planeta. Por outro lado, seis Estados (Canadá, Dinamarca - via Gronelândia, Estados Unidos da América, Islândia, Noruega e Rússia) podem invocar direitos sobre o leito marítimo em causa, e isto numa conjuntura na qual, nem o enquadramento legal, nem a moldura institucional existente, poderão fornecer as respostas definitivas e pacíficas que seria de desejar. Encontramo-nos perante um imbróglio idêntico ao que está a ocorrer no Mar Cáspio.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A China está interessada em reforçar a aquisição de dívida soberana portuguesa. Para Portugal, é uma ajuda importante para aliviar a pressão dos mercados internacionais, para a China é uma forma de assegurar boas relações com um país da Europa.
Depois da ruptura nas negociações entre o Governo e o PSD para o Orçamento de Estado, os juros da dívida portuguesa a dez anos voltaram a passar a barreira dos 6%. O Estado já marcou uma nova emissão da dívida pública de curto prazo para a próxima quarta-feira, o mesmo dia em que se vota na generalidade a proposta de OE para 2011. O fim das negociações desta semana mereceu a atenção do jornal "Financial Times" que afirma que este impasse "empurrou o país para uma situação mais próxima de uma crise da dívida soberana".
As boas notícias vieram da China que, com a visita a Portugal, a 6 e 7 de Novembro, do presidente Hu Jintao, anunciou a intenção de comprar títulos de dívida portuguesa.
A vice-ministra chinesa dos Negócios Estrangeiros, Fu Ying, garantiu que o país está disponível para comprar títulos do tesouro português e "participar no esforço de recuperação económica e financeira" de Portugal.
Fu Ying adiantou que é um hábito chinês a compra de dívida pública a países onde vão em visita oficial, mas, segundo Fu Ying, "a situação económica e financeira em Portugal tem sido sempre o centro das nossas atenções".
Ao todo, a China detém 302,28 milhões de euros em títulos de dívidas de Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha (menos 60% do que detinha no final de 2009). E esta pode ser uma forma de a China reforçar a sua presença na Europa, escolhendo os países mais endividados e onde há mais oportunidades de negócio e a bons preços.

Porta para a Europa

Para o especialista em política e economia internacional, José Caleia Rodrigues, a China não está interessada em Portugal, mas sim, em usar o nosso país como porta de acesso a mercados europeus, e sobretudo para países com quem Portugal tem boas relações, como o Brasil e os Países Africanos de Língua Portuguesa (Palop). "A China pode ter um interesse geo-estratégico mais do que económico e Portugal é um bom parceiro de entrada em mercados emergentes", salientou José Caleia Rodrigues.
Já o professor da Universidade Nova de Lisboa Miguel Ferreira lembra que a China tem um superavit comercial e tem excedentes financeiros que aplica comprando dívida de vários países. "O interesse em Portugal pode ser a taxa de juro que é alta. O inconveniente é o risco de incumprimento do Estado", explica o professor de Economia, acrescentando que a China deve acreditar que, no caso de Portugal entrar em incumprimento como a Grécia, a União Europeia também avançará com um plano para ajudar a relançar a nossa economia.
Certo é que o embaixador de Portugal na China, José Tadeu Soares, adiantou ontem que a visita do presidente chinês vai ficar marcada pela assinatura de vários acordos e contratos de investimento.
"Vão ser assinados uma série de acordos de maior importância a nível oficial e de empresas. Esperam-se contratos de investimento de grande importância", referiu o embaixador citado pela agência Lusa.
Apesar de não referir exemplos de investimento concretos, José Tadeu Soares falou em contratos no sector do turismo e acordos de "facilitação das relações económicas".

Jornal de Notícias
29.Out. 2010
Ana Paula Lima

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

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"A conjunção de duas situações, como sejam: a) o domínio ajustado entre a Federação Russa e a Arábia Saudita, que produzem 20,5 milhões de barris/dia e consomem apenas 4,6 e b) a excessiva dependência energética dos Estados Unidos que produzem 5 milhões de barris/dia e consomem 20,7 levam-nos a reflectir acerca dos riscos de uma actuação concertada, eventualmente introduzida por russos e sauditas no sector produtivo e no mercado.
Por um lado, a estimativa geralmente aceite, é a de que poderão jazer sob a calote árctica um quarto das reservas de petróleo e de gás natural disponíveis no planeta.
Por outro lado, seis Estados (Canadá, Dinamarca – via Gronelândia, Estados Unidos da América, Islândia, Noruega e Rússia) podem invocar direitos sobre o leito marítimo em causa, e isto, numa conjuntura na qual, nem o enquadramento legal nem a moldura institucional existente, poderão fornecer as respostas definitivas e pacíficas que seria de desejar.
Os dados estão lançados. Encontram-se presentes os quesitos mais que suficientes para a possível ocorrência de uma confrontação económica e diplomática do mais alto gabarito.
Fazemos votos para que os recursos petrolíferos continuem a chegar para todos e que os actores intervenientes se entendam."
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